A Assembleia Legislativa comemorou ontem o Dia da Bíblia com a realização de uma sessão especial proposta pelo deputado Pastor José de Arimatéia (PRB). O evento foi bastante concorrido, contando com representantes de diversas denominações do que se convencionou chamar de segmento evangélico, tais como batistas, presbíteros, assembleanos. Arimatéia e o deputado federal Bispo Marinho, presente ao evento, são, por exemplo, membros da Igreja Universal do Reino de Deus.
Ao ocupar a tribuna para se pronunciar, Arimatéia disse que o propósito da sessão era que todos saíssem dali "com um compromisso maior de levar a palavra de Deus a todos". O parlamentar citou a Bíblia para dizer que "quem cuida da figueira comerá seu fruto e quem cuida dos interesses do seu Senhor terá a horta". Com base nisso, foram homenageados com placas honoríficas 15 religiosos que têm se dedicado à pregação. Arimatéia enfatizou que "a Bíblia é o livro dos livros, não existe outro porque ela transforma a vida das pessoas".
O líder da maioria parlamentar, deputado Zé Neto (PT), foi o segundo orador da tarde. Ele ressaltou que a Bíblia não pertence a uma religião, mas a todos os cristãos, constituindo "no alimento da consciência humana que constrói, preserva e busca a felicidade". O deputado disse que, quando Jesus veio ao mundo, "havia verdadeira barbárie, não havia leis, ética, não havia mais nada, só o poder pelo poder, mais nada". Em relação aos dias atuais, o líder disse que "sem a palavra de Deus e sem a presença de Cristo em nossos corações, nós não vamos avançar em nosso posicionamento da vida pública".
O presidente do Ministério Apostólico Palácio Dia da Oração, em Feira de Santana, apóstolo Luciano Moura, foi destacado para contar a história da Bíblia. O religioso disse que poderia falar o dia inteiro, mas conseguiu resumir em pouco mais de 40 minutos sua fala sobre uma coleção de 66 livros que cobrem 1,6 mil anos da história humana . Exaltado, começou determinando que o protocolo da Casa fosse quebrado para estabelecer o protocolo da Bíblia, convocando a todos a aplaudirem o livro sagrado. "Nunca será um livro comum. É o livro indestrutível, é o livro que saiu da boca do Eterno que reina para sempre", definiu.
"Estamos neste lugar para dizer que o Senhor reina", afirmou, concluindo que "Salvador não é dos orixás, não é dos santos, não é das entidades, seja ela de qual origem vier, a Bahia é do Senhor Jesus Cristo". Ao longo de sua fala, entremeou citações aos escritos às declarações de amor à Palavra. Ele considerou que reis, rainhas, imperadores, padres e papa "tentaram destruir a igreja cristã e a Bíblia sagrada", comparando-os a germes. "Mas os germes também reanimam anticorpos para fortalecer o organismo."
Ainda a esse respeito, lembrou do "holocausto bíblico", logo após a tradução dos textos para o latim e tentativa de destruição dos demais. "A Bíblia saiu das mãos do povo e voltou para as prateleiras de um clero específico, de homens desprovidos de família, que não tinham o caráter de abraçar um filho porque foram relegados a um monasticismo de não ter pais, não ter mães, não ter mulher e não gerar filhos, mas ninguém sabe de amor como aqueles que geram e amam." Esse afastamento, contou, perdurou até a Reforma, com Martinho Lutero, quando a Bíblia deixou de ser do clero e passou a ser do povo.
RELEVÂNCIA
O bispo do Ministério Batista Internacional do Caminho das Árvores, Átila Brandão, ocupou a tribuna para falar sobre a relevância da Bíblia nos dias atuais. Falou por cerca de 40 minutos e seu pronunciamento foi recheado de citações da Bíblia em português e em grego. Classificou de idiotas personagens como o astronauta Yuri Gagarin (que disse não ter visto Deus ao fazer a primeira viagem humana pela estratosfera) e o filósofo Friedrich Nietzsche (autor da frase "Deus está morto"), e todos aqueles que não conseguem compreender a Palavra. Lançou mão de Saint-Exupéry para ensinar que "o essencial é invisível aos olhos".
Em uma sessão de muito louvor, houve espaço para várias canções, interpretadas pelo levita Moreno, tendo ainda o coral da Igreja Batista Missionária de Cajazeiras, Carlos Miranda e a servidora da AL Nancy Lima. O Bispo Marinho ocupou a tribuna para fazer a oração final, mas se permitiu fazer o único pronunciamento político, "uma provocação ao Governo do Estado". Marinho mostrou insatisfação com o tratamento recebido pelos evangélicos, avisando que se tratam de cinco milhões de seguidores na Bahia. "As igrejas evangélicas têm dificuldades enormes", lamentou, avisando que quem pretende disputar mandato não pode negligenciar este contingente. Ele citou especificamente o nome do secretário Rui Costa.
A Mesa dos Trabalhos foi composta pelos citados e pelo secretário estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Almiro Sena, ex-deputado Eliel Santana, pelo presidente da Câmara de Vereadores de Feira de Santana, Justiniano França; presidente do Diretório Estadual da Sociedade Bíblica do Brasil, pastor Wilson Marques; presidente da Cemipe; presidente da Associação de Pastores de Feira de Santana, José Eduardo Santos; presidente da AME – Feira, bispo Gilberto Rocha; e o pastor da Igreja Batista Lírio dos Vales Jurandir Martins.
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