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Igualdade recebe denúncias sobre a invasão de terreiro

Publicado em: 19/03/2014 00:00
Editoria: Diário Oficial

Depois de ouvir o religioso, Bira Corôa sugeriu um debate na Câmara de Vereadores de Camaçari
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A Comissão de Promoção da Igualdade e Intolerância Religiosa, presidida pelo deputado Bira Corôa (PT), recebeu, durante a audiência pública de ontem pela manhã, a denúncia da invasão do terreiro de candomblé do pai Roberto de Oxossi, em Camaçari, por parte das empresas Urca Empreendimentos e Incorporações e Arc Engenharia.
Pai Roberto disse que o problema vem desde o final da década a 90, quando a empresa Urca, entre outras, se instalou em Camaçari, com o objetivo de praticar a especulação imobiliária. Na época, Bira Corôa era vereador daquela cidade e iniciou uma grande batalha jurídica ao lado da comunidade para impedir que a empresa se apossasse de terras devolutas do município.
Conhecedor profundo do problema, o presidente do colegiado, depois de ouvir as denúncias do religioso, sugeriu um debate na Câmara de Vereadores de Camaçari, no início do mês, mostrando-se confiante não só na presença dos deputados que integram a Comissão de Promoção da Igualdade, como também da Comissão de Direitos Humanos. Ele sugeriu ainda os convites a representantes das secretarias estaduais da Promoção da Igualdade e de Justiça, do Comando Geral da Polícia Militar, Ministério Público e Comissão de Direitos Humanos da OAB.
"O objetivo é extinguir a ação criminosa instalada na região de Camaçari por essas empresas por causa da especulação imobiliária, não somente no crime de intolerância contra o candomblé do pai Roberto de Oxossi, mas também contra várias famílias que residem há muitos anos e possuem a documentação de posse devidamente registrada em cartório. Eu conheço profundamente a violência que eles praticam", destacou Bira Corôa.
O parlamentar ouviu atentamente o pai de santo e o advogado Eric Chequer e não ficou surpreso com as denúncias de ameaças aos integrantes do candomblé, corte de plantas consideradas sagradas ao culto, perturbação com a insistência de motos barulhentas e sem placa em torno da casa, além de outras ameças à integridade física daqueles que frequentam o terreiro.
"A audiência com a presença de todos os órgãos encarregados de assegurar o papel do Estado em dar garantia aos cidadãos será de fundamental importância. Vamos visitar todas autoridades competentes. As ameaças proporcionam um verdadeiro terror a todos que residem nesta região. É de se lamentar que, entre os capangas e jagunços, estejam policiais envolvidos", concluiu Bira.
O pai Roberto de Oxossi por sua vez, garantiu que tem a posse do terreno onde fica o terreiro, devidamente regularizada, e que o mesmo foi adquirido de um antigo proprietário, há cerca de 20 anos: "Queremos apenas que a normalidade volte ao terreiro e a todos que residem na região", disse pai Roberto.



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