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AL devolve de modo simbólico mandatos a deputados cassados

Publicado em: 01/04/2014 00:00
Editoria: Diário Oficial

A Mesa de Honra dos Trabalhos foi composta por personalidades dos mais diversos setores
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Os 50 anos do golpe militar de 1964, completados ontem, foram lembrados "com tristeza" na Assembleia Legislativa da Bahia, que realizou sessão especial para devolver simbolicamente os mandatos dos 14 deputados estaduais que tiveram os direitos políticos cassados. Uma comemoração da vitória da democracia sobre a ditadura. As maiores autoridades civis da Bahia compareceram ao ato. Emocionados, ex-deputados ou seus descendentes repudiaram o arbítrio, expuseram o sofrimento a que foram submetidos, marcas indeléveis deixadas nas famílias de todos e louvaram o regime democrático.
Os trabalhos foram abertos pelo presidente do Legislativo, deputado Marcelo Nilo, que constituiu comissão de líderes partidários para acompanhar o governador Jaques Wagner do Salão Nobre até o auditório do anexo Senador Jutahy Magalhães, onde foi aplaudido de pé. Deputados estaduais, federais, ex-parlamentares, vereadores, intelectuais, líderes partidários, sindicalistas, professores, advogados, familiares dos parlamentares cassados e alunos da Escola Carlos Marighella lotaram o local. A execução do Hino Nacional marcou o início da sessão que teve como último orador o chefe do Executivo. Para ele, a sessão, foi uma "aula de história e democracia".
A devolução dos 14 mandatos decorre do trabalho realizado pela Comissão Especial da Verdade da Assembleia Legislativa, presidida pelo petista Marcelino Galo, referendado pelo plenário da Casa. Os 50 anos sem esta reparação cobrou seu preço, pois apenas quatro dos ex-deputados estão vivos: Luiz Leal, Marcelo Duarte, Wilton Valença e Sebastião Nery – impedido de comparecer por conta de cirurgia –, que se fez presente através de mensagem lida pela freira Fátima Nery, sua irmã.
Em todos os relatos, ficou patente o impacto da cassação (na maioria dos casos também de prisão) na vida dos familiares dos punidos pelos atos da ditadura militar. Os cassados se tornaram, da noite para o dia, párias. Homens de bem, sem exceção, privados não apenas dos mandatos, mas de cargos públicos ou empregos, apartados da vida social e submetidos a forte queda do padrão de vida, quando não submetidos a vexames para sustentar as famílias.
A maior parte dos oradores era criança em 1964. Sofreram para entender os motivos da prisão dos pais ou parentes, pois no imaginário prisão era para bandidos, logo não havia lógica na prisão de seus entes queridos. Como registrou o secretário Nestor Duarte, que falou em nome do pai, o professor Marcelo Duarte: "A violência entrou em nossa casa, na escola e feriu a todos nós, pois além de deputado estadual meu pai era procurador do município e professor da Ufba. De uma hora para outra foi preso. Um mês depois estava de volta ao escritório de advocacia, mas quem daria uma causa a um homem saído de uma prisão política?" Emoção transbordando, encerrou com um "viva a democracia!"



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