O deputado Marcelo Nilo considerou um privilégio presidir a sessão histórica que devolveu simbolicamente mandatos parlamentares subtraídos arbitrariamente no pós-golpe de 1964. Ele elogiou o trabalho desenvolvido pela Comissão Especial da Verdade, encabeçada pelo deputado Marcelino Galo (PT), e parabenizou a cada um dos seus integrantes – deputados Pedro Tavares (PMDB), que é o vice-presidente, J. Carlos (PT), Leur Lomanto Júnior (PMDB), Álvaro Gomes (PC do B), Capitão Tadeu (PSB), Ronaldo Carletto (PP), Zé Raimundo (PT) e os suplentes, Ângela Sousa (PSD), Cacá Leão (PP), Coronel Gilberto Santana (PTN) e Maria del Carmen (PT).
Para o presidente da Assembleia Legislativa, a Bahia passa por um momento ímpar de resgate da pesada dívida social que ainda penaliza vasto segmento de nossa população, aliado à vida republicana e democrática. Defendeu a apuração, sem conteúdo de revanche, dos crimes cometidos pelos governos contra a representação popular e se solidarizou com os familiares e os ex-deputados presentes, "ceifados que foram quando desejavam tão somente servir à Bahia e aos baianos".
ADVOGADOS
O deputado Marcelo Nilo homenageou ainda advogados que se arriscaram defendendo parlamentares cassados e presos políticos como Ronilda Noblat, Rui Patterson, Pedro Milton de Brito, Ignácio Gomes e Jaime Augusto Guimarães, entre outros. Tiveram os nomes longamente aplaudidos pelos presentes.
O primeiro orador da sessão especial foi o presidente da Comissão Especial da Verdade, deputado Marcelino Galo (PT), que fez um pronunciamento em defesa das liberdades democráticas, repudiando o arbítrio do golpe de 1964. Frisou ainda a importância da investigação desse passado recente e do estabelecimento de responsabilidades, pois entende que só através do conhecimento e da verdade o autoritarismo será banido da vida pública da Bahia e do Brasil. Coube ao seu gabinete e à própria comissão organizar a cerimônia de devolução simbólica dos mandatos subtraídos.
O governador Jaques Wagner afirmou que os últimos 29 anos são o maior período democrático experimentado pelo país, mas voltou-se para o ex-governador Octávio Mangabeira e lembrou que "a democracia brasileira é uma plantinha, tenra, que precisa muito ser regada". Para ele, a devolução simbólica foi importante, não como forma de revidar o que foi feito ou por repulsa, mas para fortalecer o regime democrático. O governador da Bahia elogiou a iniciativa de alunos de uma escola estadual em solicitar a alteração do nome de Emílio Garrastazu Médici para Carlos Marighella.
Quanto ao nome do Aeroporto de Salvador, disse que nenhum cidadão pode ser considerado maior do que a saga do 2 de Julho e explicou que existe projeto de lei nesse sentido em tramitação na Câmara, do deputado petista Luiz Alberto. Amparado em fala anterior do engenheiro Luiz Contreiras, que presidiu o PCB na Bahia, referente ainda ao grande número de brasileiros excluídos da vida econômica nacional – 70 milhões – e condenou as ditaduras, (pois mesmo a do proletariado fracassou), defendeu o resgate social ocorrido em suas gestões. Citou números de alfabetizados, casas entregues e ampliações das redes de água e energia, entre outros.
Além do presidente Marcelo Nilo, do governador Jaques Wagner e do presidente da Comissão da Verdade, deputado Marcelino Galo, compuseram a mesa de honra dos trabalhos, o primeiro vice-presidente, deputado Yulo Oiticica, o conselheiro do TCE, Zilton Rocha. E ainda o coordenador da Comissão Estadual da Verdade, Joviniano Neto, o presidente da ABI, Walter Pinheiro, a diretora da Fundação Pedro Calmon, Fátima Fróes, a diretora da Fundação Perseu Abramo, Luciana Mandelli, o coordenador nacional da Consulta Popular, Mário Soares Neto, e o representante dos comunistas baianos, Luiz Contreiras.
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