Os problemas que o ensino médio enfrentam no Brasil são muitos e não vêm de agora. Podem ser facilmente constatados pelo fraco desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos últimos anos, mas passam também pela baixa procura por matrículas e pelos elevados índices de repetência e evasão escolar. As propostas para mudar essa realidade foram discutidas, na manhã de ontem, em audiência pública da Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa.
O evento teve a presença da superintendente de Desenvolvimento da Educação Básica da Bahia, Amélia Maraux, do presidente da Associação Baiana de Estudantes Secundaristas (Abes), Nadson Rodrigues, além de parlamentares e professores de forma geral. O presidente da comissão, deputado Álvaro Gomes (PC do B), observou que muitos dos problemas da sociedade se refletem nas escolas, já que elas não são descoladas da realidade. Ele citou o exemplo da violência, fato que acaba afastando muitos estudantes do ambiente escolar.
Logo de início de sua exposição, Amélia Maraux, defendeu: “Não dá para pensar no ensino médio sozinho”. Para ela, as dificuldades de aprendizado enfrentadas pelos estudantes têm início no processo de alfabetização e prosseguem no primeiro e segundo ciclo do ensino fundamental. A superintendente acrescentou que ainda é grande a retenção dos estudantes no ensino fundamental. “Por volta de 34% dos jovens entre 15 e 17 anos não conseguem ingressar no ensino médio”, pontuou.
Amélia Maraux observou que um dos grandes problemas desses estudantes é a falta de “letramento” em matemática e português. “O analfabetismo funcional é grave”. Por isso, acrescentou, esses estudantes simplesmente não conseguem passar de ano. Para minimizar essa situação, o governo do estado vem discutindo o formato das avaliações. “O importante é que se possa fazer essas correções de rumo ao longo do ano e não só no final”, disse ela. “A avaliação não pode ser só punitiva”.
Outra medida que a SEC vem implementando para melhorar o ensino médio, segundo Amélia, é o programa de Educação Integral. “É importante que os estudantes permaneçam mais tempo nas escolas. Mas, para isso, é importante também investir cada vez mais na formação de professores”, avaliou. Segundo ela, hoje existem cerca de 40 escolas na Bahia que funcionam no regime de educação integral.
Já o presidente da Associação Baiana de Estudantes Secundaristas afirmou que a escola não dialoga com a realidade dos alunos e, por isso, eles não sentem vontade de estar na sala de aula. “Os alunos ficam sem saber como o que está sendo ensinado vai servir para sua vida”, observou Nadson Rodrigues.
Para ele, o ensino médio para se tornar atrativo para os jovens tem que atender a três pontos básicos. O primeiro, afirmou ele, é preparar o estudante para universidade. “O jovem precisa chegar na universidade e não ter aquela surpresa de que tudo mudou”. O segundo é preparar para o mercado de trabalho. “Muitos concluem o ensino médio e se não conseguem ingressar na universidade só resta fazer um cursinho ou ficar em casa, porque eles não aprendem nada”. E, por fim, o dirigente estudantil lembrou que a escola também devem preparar o indivíduo para a vida, formando cidadãos de bem.
Álvaro Gomes lembrou que, quanto a questão da profissionalização, a Bahia vem avançando com os cursos técnicos. “Hoje, nós temos no estado cerca de 70 mil estudantes matriculados em cursos técnicos. Isso é importante porque dá um condição para o estudante ingressar no mercado de trabalho com mais rapidez”, afirmou.
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