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Deputados e desportistas buscam solução para tropeços do futebol

Publicado em: 19/09/2005 21:49
Editoria: Diário Oficial

O plenário da Assembléia foi palco ontem de debates sobre a crise do futebol baiano em sessão especial de iniciativa de Edmon Lucas
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Tropeçando e dando vexame em gramados de todo o país, o futebol baiano foi parar mais uma vez no tapetão: desta vez não foi mais um caso de disputas na justiça desportiva, e sim no carpete verde do plenário da Assembléia Legislativa, onde se realizou ontem uma sessão especial com o objetivo de buscar soluções para uma crise que levou os dois principais clubes, Bahia e Vitória, para a terceira divisão do futebol brasileiro, e outros, a exemplo de Ipiranga e Leônico, ao quase esquecimento.

A sessão foi de iniciativa do deputado Edmon Lucas, do PTB (ver matéria na pág.2), e contou com o apoio dos líderes do governo, deputado Paulo Azi (PFL), da minoria, Roberto Carlos (PDT), e do PMDB, Targino Machado, que assinaram um acordo de dispensa de formalidades regimentais para transformar a sessão ordinária em especial. Antes do início dos trabalhos, que foram abertos pelo presidente Clóvis Ferraz (PFL), o deputado Waldenor Pereira (PT) sugeriu que o evento fosse batizado de Armando Oliveira, um dos principais cronistas esportivos do estado que morreu este ano. Ferraz não só aceitou como pediu um minuto de silêncio em memória do jornalista.

Na síntese dos 27 pronunciamentos da tarde/noite de ontem foram apontados como principais causas da crise os dispositivos da Lei Pelé, que esvaziaram o país de craques, e o não-compartilhamento dos custos do futebol pelos empresários de jogadores. Com o passe-livre e os empresários negociando cada vez mais cedo os jogadores, os clubes são obrigados a negociá-los para, ao final do contrato, não ficarem com o "mico" na mão. Mas também não faltaram discursos - como foi o caso do deputado Roberto Muniz (PP) - que lembraram da prática de "armações e falcatruas" que caracterizou o futebol local. "Houve um tempo que só Bahia e Vitória podiam ganhar o Campeonato Baiano e, em algumas décadas, nem mesmo o Vitória".

                                                     COMPROMISSO         

A importância do evento foi destacada pela deputada Lídice da Mata (PSB), que elogiou Edmon pela "rápida e pronta iniciativa" de quem "tem compromisso com os interesses do povo". A respeito do tema, ela apontou a falta de transparência na gestão dos clubes e sugeriu a formação de uma força-tarefa para salvar o futebol da Bahia. Azi, por sua vez, também apelou para  a união, sugerindo que, pela primeira vez, Bahia e Vitória dêem as mãos para encontrar uma saída.

Enquanto os pronunciamentos transcorriam, Douglas, Emo, Zé Eduardo, Edmilson, Emerson e Sapatão, craques do passado que se notabilizaram nos gramados da Fonte Nova  e estiveram presentes ontem, deviam pensar: "No meu tempo a gente resolvia no gramado". O jornalista Nestor Mendes Júnior, candidato de oposição à presidência do Bahia e que assistiu aos craques engrandeceram o esporte em lances inesquecíveis, ocupou a tribuna para revelar sua preocupação com a possível perda do maior patrimônio do seu clube, a torcida, em função da decadência.

Waldenor avaliou que o esporte baiano está sofrendo a sua maior humilhação e citou artigo de João Carlos Teixeira Gomes, publicado em A Tarde, onde se revela preocupação com os prejuízos gerados a diversos setores do estado com a chegada dos dois maiores clubes à terceira divisão. Roberto Carlos, presidente do Juazeiro, Jussílvio Pena, vice do Galícia, e Bernardo Improta, presidente do Ipiranga, ocuparam a tribuna para reclamar que os pequenos clubes da Bahia estão roendo o osso há muito tempo. 

Ante a reclamação de alguns em relação aos poderes públicos, o deputado Heraldo Rocha (PFL) falou para mostrar que o Estado muito tem feito e que o problema do futebol baiano é de má gestão e falta de transparência generalizadas nos clubes. "O processo de degradação não começou agora", disse. Em seguida, o ex-deputado Horácio de Matos garantiu que a Assembléia Legislativa e o governo deram o apoio possível, enumerando algumas das ações. Estiveram presentes ainda dirigentes de diversos clubes do estado, o diretor da  Sudesb, Marcus Cavalcanti, os presidentes da Federação Baiana de Futebol, Ednaldo Rodrigues, da Associação Baiana de Cronistas Desportivos, Jorge de Lima, da Comissão de Árbitros, Wilson Paim, do Bahia, Petronio Barradas, e o superintendente do Vitória Walter Motta Filho.



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