Edmon Lucas enfatizou a busca de alternativas que impeçam o fechamento da Fonte Nova e do Barradão, num encontro que lotou o plenário de parlamentares e amantes do futebol
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O deputado Edmon Lucas (PTB) considera grave a crise vivida pelo futebol baiano em decorrência do rebaixamento para a terceira divisão das duas maiores forças desse esporte: o Esporte Clube Bahia e o Vitória Esporte Clube. Mas é otimista e acredita que é das dificuldades que surgem as grandes soluções e é na busca de uma saída para a crise que optou pela realização de uma sessão especial.
O discurso que fez na abertura dos trabalhos foi nessa linha. Ele evitou "partidarizar" e focar a sua fala nos dois maiores clubes do estado ou mesmo analisar as razões do rebaixamento. "Transformaram-se Bahia e Vitória em empresas no bojo de mudanças de visão e de experiências em curso no mundo", disse ele, "mas não me aprofundarei aqui nesta análise, porquanto não é este o motivo da nossa convocação". "Quero aqui deixar assentado, do meu ponto de vista, que é essa inconsistência das mudanças que está fazendo a diferença", acrescentou.
Edmon Lucas entende que é preciso a busca de alternativas que impeçam o fechamento da Fonte Nova e do Barradão, estádios onde joga a dupla BAxVI, para evitar que fiquem à míngua aqueles que sobrevivem direta ou indiretamente do esporte e "muito menos aqueles consumidos pela paixão absoluta do futebol que não podem ter as vidas entristecidas pelo silêncio e a quietude nos estádios". O petebista fez um chamamento à unidade, externando a opinião de que a busca de solução precisa passar ao largo das paixões, por ser responsabilidade de todos a elaboração de uma proposta com planejamento estratégico capaz de construir cenários pensados e medidos.
Para ilustrar esse pensamento, citou o cronista e jornalista Armando Nogueira que em memorável crônica observou: "Que estranho ser é esse que habita as arquibancadas. Não lhe basta o sucesso de sua equipe. Ele só está genuinamente feliz com a derrota do adversário" e acrescentou ser indispensável a obtenção de uma trégua, deixando a responsabilidade para trás.
Edmon pesquisou a literatura especializada e disse que encontrou muitas estatísticas relativas a técnicos, atletas e juízes, mas não conseguiu encontrar um estudo sério sobre a efetiva relação entre esse esporte fenomenal que atrai multidões e o seu perfil econômico-financeiro. Em seguida abordou a importância do esporte sob o seu aspecto físico e da verdadeira multidão de profissionais e de empresas que vivem total ou parcialmente do futebol. Lembrou a manutenção dos estádios, dos clubes e até dos profissionais da imprensa e do guardador de automóvel para citar o prejuízo que a Bahia ? e os baianos ? terão com a atual crise.
Em seguida analisou o quadro pelo aspecto social e humano. Tratou do atleta e de sua origem, da ascensão social de sua família e do torcedor com as suas exteriorização de alegria, raiva, do choro e da emoção. Citou a socialização de garotos, "às vezes desgarrados que encontram nesse esporte mágico o conduto de um futuro sadio", e avalia que é chegada a hora da virada. "Essa é nossa missão e aqui se encontram todos que sabem dos caminhos que precisam ser trilhados para chegarmos à fonte e ninguém chega à fonte só". Ele acredita que a partir dessa sessão especial se estabelecerá uma força multifacetada para engendrar um projeto sério de desenvolvimento esportivo-empresarial.
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