Já está tramitando na Assembléia Legislativa uma indicação do deputado Sargento Isidório (PSC) sobre o polêmico tema do casamento na Igreja Católica. No documento, protocolado anteontem na Secretaria Geral da Mesa, o parlamentar solicita que a Mesa Diretora da Casa encaminhe ao papa Bento VI a sugestão para que seja permitido que os padres, madres, freiras e demais sacerdotes possam contrair matrimônio.
"Entendemos que só assim esses religiosos e religiosas poderão continuar com o ofício abençoado de pregar a palavra de Deus na condição de pais e mães de família, exercendo assim com mais propriedade e inculpabilidade o ministério dadivoso de Deus, evitando a proliferação do homossexualismo dentro das igrejas, fato lamentável que tanto vem sendo divulgado pela imprensa de todas as partes do mundo, o que expõe a imagem desta instituição", afirma o autor da indicação.
Para embasar sua argumentação em defesa do casamento entre sacerdotes católicos, o deputado recorre à Bíblia. "O Livro Universal diz que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Mas, ao criá-lo, diz o texto sagrado que Deus viu que não era bom que o homem estivesse sozinho, pois para todos os animais o Senhor havia criado macho e fêmea. Ao perceber as solidões sociais, comunicativas, afetivas e sexuais foi que Deus criou a mulher, dando ao homem seu complemento", destaca o parlamentar, citando diversos trechos dos evangelhos.
Sargento Isidório afirma ainda que o direito ao casamento, à constituição da família e à liberdade foi ratificado há mais de dois mil anos, quando Jesus participou de uma festa de matrimônio "e nela realizou o primeiro milagre, pelo sangue que Ele derramou na cruz como garantia do livramento e graça para todos, sem qualquer distinção e, acima de tudo, ao estabelecer a Igreja como sua noiva, deixando ao Espírito Santo o encargo de prepará-la para as bodas, isto é, para o casamento".
Com o objetivo de reforçar sua tese, Isidório anexou à indicação três textos. Dois em português: A Obscuridade Histórica do Celibato Oficial, do teólogo Enrique Miret Magdalena, publicado no El País e traduzido pelo Correio Braziliense; e O Celibato Imposto por lei Eclesiástica e Não Bíblica, do pastor batista José Barbosa de Sena Neto, além da seguinte matéria em espanhol: Grupo Católico pide reconsiderar celibato y sacerdocio femenino, de Philip Pullella.
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