Em depoimento pouco esclarecedor, CPI ouve Frederico Santos, da Shell Distribuidora
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A CPI dos Combustíveis, que apura indícios de cartelização, sonegação fiscal e adulteração, vai ouvir novamente um representante da Shell Distribuidora. Tal medida foi proposta pelo deputado Roberto Muniz (PP) e acatada pela maioria do colegiado. A decisão foi tomada ontem após a oitiva do gerente regional da empresa, Frederico Santos, que não elucidou as dúvidas e questões levantadas pelos parlamentares.
Com pouco menos de dois meses na função, o executivo da multinacional não soube responder aos questionamentos do presidente da comissão, deputado Targino Machado (PMDB), sobre o sistema de franquia, argumentando que "não sou especialista no assunto e também não conheço muito o mercado pois venho de área interna da empresa".
A falta de respostas concretas da testemunha acabou por levar a sessão a um impasse. O presidente em exercício, Marcelo Nilo (PSDB), afirmou que entendia "ser possível ele recorrer a algum diretor da empresa que estivesse na platéia". O tucano defendeu esta posição, destacando que "o objetivo principal da CPI é apurar as irregularidades e punir os culpados". Targino Machado, porém, citando o artigo 204 do Código de Processo Penal, discordou desta posição e solicitou que fossem ouvidos o promotor de Justiça, Rogério Queiroz, e o procurador da Casa, Thyers Novais de Cerqueira.
No entanto, ao mesmo tempo, o deputado Luiz de Deus (PFL) solicitou uma questão de ordem propondo a inversão na ordem das inquirições. "Gostaria de ouvir o promotor Rogério Queiroz, que conhece bastante a questão". A partir deste instante estabeleceu-se uma discussão mais acirrada, pois o deputado Pedro Alcântara (PL) disse que queria "ter o direito de falar primeiro pois estava inscrito desde cedo" . O relator Gilberto Brito (PL) interveio e propôs que os deputados "chegassem a um acordo, pois toda vez que se estabelece que o diálogo não prevalece é a população quem sai perdendo".
A sessão retomou a normalidade, mas o depoente Frederico Santos continuou sem esclarecer as dúvidas dos deputados quanto à forma de funcionamento da franquia realizada pela Shell, assim como o processo de verticalização. Diante disso, os parlamentares aprovaram a proposta de Roberto Muniz de ouvir outro representante da empresa que "pudesse fornecer as informações e tirar as dúvidas".
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