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Falecimento de dona Yolanda Pires causa consternação na Assembléia

Publicado em: 09/11/2005 21:40
Editoria: Diário Oficial

Ferraz: que a verdadeira fé dê resignação
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O falecimento de dona Yolanda Pires, ex-primeira-dama do estado, consternou a Assembléia Legislativa, sendo unânime o sentimento de solidariedade dos deputados estaduais ao ministro chefe da Controladoria Geral da União, Waldir Pires, com quem ela foi casada durante 54 anos, e a seus familiares. Em sinal de respeito à sua memória, um acordo entre as lideranças partidárias foi firmado e os trabalhos em plenário suspensos às 16h, quando a tribuna da Casa seria ocupada pelos representantes do PC do B, que abriram mão desse espaço em homenagem a dona Yolanda.

O presidente da Casa, deputado Clóvis Ferraz (PFL), lembrou que "só a verdadeira fé nos insondáveis desígnios divinos pode efetivamente trazer resignação a seus parentes e amigos num momento como esse, rogando a Deus para que dê conforto a todos os seus". Ainda na fase inicial da sessão plenária, o petista Emiliano José fez um discurso emocionando lembrando a trajetória de dona Yolanda como "profissional, militante política, companheira inseparável do ex-governador Waldir Pires e mãe extremosa que foi".

É de sua autoria uma das três moções de pesar protocoladas junto à Secretaria Geral da Mesa do Legislativo. Seus companheiros de partido, J. Carlos e Valmir Assunção, foram os autores das outras duas. O texto elaborado por Emiliano José informa que o falecimento decorreu de complicações surgidas em cirurgia a que ela se submetera no Instituto do Coração, ontem ao meio dia, para a substituição de duas válvulas cardíacas e colocação de três pontes de safena. Ela nasceu em 5 de abril de 1929.

Emiliano lembrou que dona Yolanda era formada em Serviço Social, possuindo ainda diploma em Literatura, Civilização e Cultura Francesa, pela universidade de Nancy, obtido quando acompanhou o marido e os filhos no exílio que começou no Uruguai e acabou na França. Seu trabalho assistencial à frente do Movimento de Ação Integrada Social, MAIS, acumulado com a coordenação estadual do Programa Nacional de Voluntariado da Legião Brasileira de Assistência, LBA, também foi destacado pelo petista na moção de pesar que relacionou esse engajamento na vida pública e a militância política com a sua eleição para a Câmara de Vereadores de Salvador, em 1992, quando foi a única mulher eleita e a mais votada de todo o colegiado.

Ele listou ainda os títulos e condecorações recebidas por dona Yolanda e  tratou de sua faceta como escritora, pois foi autora de três livros. Em Caminhada em Defesa da Vida,  descreve em artigos a experiência e as ações desenvolvidas como vereadora; em Exílio, Testemunho de Vida, narra o período do exílio; e em O Fio da Meada fez uma incursão pelo romance. Yolanda Pires foi ainda uma das fundadoras da Casa do Candango, em Brasília, e sua presidente. Militou no Movimento Feminino Pela Anistia, fundando a Liga Brasileira de Defesa dos Direitos Humanos, com sede no Rio de Janeiro, que presidiu durante 12 anos.

Já o deputado Valmir Assunção, ao lamentar o falecimento de dona Yolanda Pires listando fatos de sua vida acadêmica e profissional, centrou a sua moção de pesar no trabalho da ex-primeira-dama da Bahia na luta em prol dos direitos humanos e do Grupo de Ação Social, GAS, lembrando que ela foi membro do Centro de Pesquisas Gonçalo Muniz, da Fiocruz, secção da Bahia. Ele louvou a sua militância em defesa dos menos afortunados, em especial para que todos tivessem acesso à moradia digna, e solidarizou-se "com o ministro Waldir Pires, nosso companheiro do Partido dos Trabalhadores", propondo a todos uma reflexão em torno da história de vida dessa militante política, intelectual e "grande mulher que acompanhou o ministro da Controladoria Geral da União ao longo de toda a sua vida ? que deixa um legado de cidadã que a fará sempre presente em nossa história política.".

O deputado J. Carlos, além de tratar de toda a trajetória de vida de dona Yolanda, deteve-se com vagar no duro período que ela precisou enfrentar junto com o marido e filhos quando precisou deixar o país, exilando-se no Uruguai e depois na França, entre 1964 e 1979, bem descrito no livro que lançou ainda no exílio. "Ali temos uma narrativa da mãe de cinco filhos que traz o ponto de vista das pessoas que não se envolveram de fato com o regime e que mesmo assim foram afetados pelos acontecimentos". J. Carlos solidarizou-se com o ministro Waldir Pires e com os filhos, netos e amigos de dona Yolanda, que "nos deixa um exemplo de cidadã íntegra".



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