Plenarinho cheio na homenagem da Comissão de Educação a Marília, vencedora do Concurso Nacional de Redação de Cartas
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A estudante Marília Silva de Moura, 14 anos, vencedora do Concurso Nacional de Redação de Cartas, foi homenageada ontem pela Comissão de Educação, Esportes e Serviços Públicos da Assembléia Legislativa. O evento aconteceu no Plenarinho e contou com a participação de parlamentares, professores e alunos do Centro Educacional Recanto Verde (Cerv), em Águas Claras, onde Marília cursa a 8ª série do ensino fundamental.
O concurso vencido pela adolescente baiana é promovido pela União Postal Universal e Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e tem a participação de estudantes de escolas do país inteiro. Agora, Marília vai representar o Brasil no Concurso Internacional de Redação de Cartas. Foi a primeira vez que uma estudante baiana ganhou o concurso no âmbito nacional.
A homenagem à garota foi marcada por discursos emocionados e de orgulho por sua vitória. A diretora pedagógica do Cerv, Maria Conceição, por exemplo, chorou ao lembrar a discriminação que a comunidade do Centro Educacional Recanto Verde sofre "por ser uma escola de periferia". "Marília mostrou para todos que nós somos capazes, tão capazes quanto qualquer estudante de uma grande escola da cidade e do Sul do país", afirmou ela, arrancando aplausos acalorados das dezenas de alunos e professores.
Os deputados presentes ? a maioria com formação de professor ? repetiram o argumento de que a vitória de Marília no concurso nacional é um exemplo para os alunos do Nordeste. "Precisamos sair da condição que impuseram a nós, do Nordeste, de que não somos capazes de nos destacar em questões da cultura, da ciência e das letras de forma geral", disse Zilton, agradecendo a Marília "por ter nos dado a oportunidade de refletir sobre uma coisa tão importante como a educação".
A mãe da garota, Irandir Pereira, contou que desde cedo Marília teve contato com o mundo das letras. Ela costumava ir junto com a mãe, outra amante dos livros, para a Praça da Piedade assistir a recitais de poesia. "Nunca tive dinheiro para comprar roupas de marca para Marília. Mas nunca deixei de lhe dar livros", disse ela, lembrando que só escreve bons textos quem é um leitor de verdade.
A homenageada ganhou da Comissão de Educação o livro Cidadão de Papel, de autoria do jornalista e escritor Gilberto Dimenstein, e um buquê de flores. O tema do concurso vencido por Marília foi "O meu personagem de contos de fadas favorito". Ela escreveu uma carta "destinada" a Chapeuzinho Vermelho, na qual conta as viagens que fazia ao ler as histórias do personagem. "Nem era preciso fechar os olhos e, num instante, meu pensamento guiava-me para longe, percorria distâncias incalculáveis, pisava terras jamais alcançadas pelo homem".
Para o deputado Emiliano José (PT), vice-presidente da Comissão de Educação, o texto escrito pela estudante trata da capacidade de sonhar e da condição humana. "É um texto primoroso que mostra a importância de continuar sonhando, sempre. Seja por uma vida mais feliz, por um grande amor, ou por uma nação mais justa".
Marília mostrou ainda no evento de ontem que, além de escrever, fala muito bem. No final da homenagem, ela conclamou seus colegas a se dedicarem cada vez mais à leitura e aos estudos. "Enquanto a gente não mudar a visão de nós mesmos, nós não vamos nos destacar", disse ela. Marília sugeriu ainda que fosse acrescentada a palavra "igualdade" ao lema "ordem e progresso", presente na bandeira do Brasil.
Já o presidente da comissão, deputado Antonio Rodrigues (PFL), disse que o maior patrimônio que os pais podem passar para seus filhos é o conhecimento. "Riquezas materiais podem acabar no decorrer da vida. Mas o conhecimento, o saber, ninguém lhes tira", disse Rodrigues para os estudantes que participaram do encontro. Também marcaram presença na solenidade os deputados Waldenor Pereira (PT), Aderbal Caldas (PP) e Eliel Santana (PSC).
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