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De Castorano a cidadão da Bahia

Publicado em: 25/11/2005 21:56
Editoria: Diário Oficial

Sob aplausos de numerosa platéia, Targino Machado conduz o monsenhor Hermenegildo de Castorano para o início da sessão especial
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Veio de Castorano, palmilhou o chão de muitas cidades e, hoje, para a alegria de todos nós, recebe o justo e merecido título de cidadão da Bahia. Foi assim que o deputado Walmir Mota sintetizou em pouquíssimas palavras a trajetória do monsenhor Hermenegildo de  Castorano, um venerável nonagenário que "propagou a fé, o amor, a bondade e a compreensão entre os homens nas ruas, no púlpito e pelas ondas do rádio" em diversas regiões e, que, desde 1970, se dedica à comunidade de São Gonçalo dos Campos. A idade não tem sido empecilho para o religioso manter seu trabalho e até ampliá-lo, dando assistência às populações de Conceição da Feira e de Humildes, distrito de Feira de Santana.

Em seu discurso de elogio ao homenageado, Walmir patenteou sua satisfação em entregar o título de Cidadão Baiano, outorgado pela Assembléia Legislativa. Falar sobre o religioso, disse, "é contar um pouco da saga dos imigrantes italianos que aportaram no Brasil para, com o suor do rosto e a esperança num futuro melhor, também ajudar a construir esta nação". Para o parlamentar, as principais características do monsenhor são "a espiritualidade transcendente e a vitalidade imanente, sem esquecer o profundo carisma e a comunhão com o próximo".

"Vida plena e infatigável, a do nosso frei Hermenegildo", disse Walmir, referindo-se à sua condição até 1967, quando se ordenou padre secular. O religioso chegou a Salvador em dezembro de 1939, vindo de Castorno, cidade do sul italiano, para realizar seu trabalho de missionário no convento da Piedade. Trazia uma mensagem de paz, que o velho continente se preparava para  abandonar, com a ascensão do nazi-facismo. "Logo aprendeu a nossa língua", contou, lembrando que, na década de 50, mais de quatro dezenas de parentes vieram  para a Bahia, mitigando-lhe a saudade.

Junto com o cunhado Alfredo Fiorant, Hermenegildo foi para Itiruçu, onde se estabeleceu por 25 anos e ali fundou a Igreja de São Gabriel. Ao longo de sua carreira religiosa, dedicou sua atenção às colônias de imigrantes italianos, mas achou tempo para se ocupar de inúmeras outras atividades. Ainda em Salvador, implantou a tipografia do Convento da Piedade e construiu a Igreja Nossa Senhora do Loreto.

O padre revelou sua visão de comunicador, ao empreender uma luta, em Feira, para que a Igreja de Santo Antonio, da Ordem dos Capuchinhos, adquirisse a Rádio Sociedade, "essencial para o trabalho de evangelização e, na qual, hoje, quase meio século depois, eu tenho a honra de apresentar um programa diário", contou Walmir. A rádio foi comprada em 1960, juntamente com a Rádio Educadora de Santo Amaro e a Difusora de Alagoinhas, todas as três dirigidas "pelo infatigável Hermenegildo".

Em 1965, foi para Itabuna, onde adquiriu mais uma rádio para a ordem, e seguiu para os Estados Unidos para aprofundar seus conhecimentos sobre o potencial educativo da rádio. Ele visitou também a Jamaica, cuja população foi alfabetizada pelas ondas radiofônicas. De volta ao Brasil, torna-se vigário do município de Antonio Cardoso, até ser transferido para São Gonçalo dos Campos.

 



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