"Alguns líderes quando morrem levam parte da história. Ele levou parte do futuro". Esta citação em forma de profecia feita pela jornalista Miriam Leitão na época do prematuro desaparecimento de Luís Eduardo Magalhães foi usada pelo presidente da Assembléia Legislativa, deputado Clóvis Ferraz, no início de seu pronunciamento de saudação aos homenageados na concorrida sessão de sexta-feira.
"São palavras que estão gravadas na entrada deste Palácio Legislativo, que ostenta com honra o nome do deputado que aqui iniciou a carreira política, aos 24 anos de idade, e presidiu esta Casa com inigualável competência", elogiou, acrescentando que "por decisão divina se calou a sua voz, mas não se calaram a sua mensagem, a sua lição de honradez e lealdade e seu grande exemplo". Ao falar sobre o atual quadro político nacional, marcado por perplexidade, o presidente Clóvis Ferraz afirmou que Luís Eduardo faz muita falta.
UTOPIAS
Os sonhos e as lutas de Luís Eduardo por um Brasil melhor, na concepção de Clóvis Ferraz, tornaram-no "a consciência do povo da Bahia". "Muitos de nós somos da geração que teve o privilégio de conviver com ele. E percebemos que era um homem grandioso, tão encantado com as utopias coletivas que já não pertencia a si mesmo". Para o presidente da Assembléia, a lealdade era a característica mais marcante de Luís Eduardo, "um conselheiro generoso e bom, herdando do pai, com quem tinha identidade completa, a tenacidade, a vocação e a competência política". Destacou ainda o seu apego à família, a quem legou o exemplo de uma vida plena e correta.
O presidente da AL disse que tinha "orgulho de ter sido amigo de Luís Eduardo". "Era a personificação do dinamismo inteligente e, no parlamento, sempre foi a voz do bom senso. Ele se gigantava no patrocínio das causas em defesa dos injustiçados", testemunhou, afirmando que mesmo adepto da negociação, "na qual era mestre", nunca abriu mão de suas convicções.
TRAJETÓRIA
O percurso de Luís Eduardo na vida pública foi classificado por Clóvis Ferraz como de "invejável brilhantismo". "Nos cinco mandatos parlamentares ? sendo dois estaduais e três federais ? sempre foi incansável no combate ao atraso, ao imobilismo e à resignação. Por causa desta atuação chegou inclusive a ocupar, interinamente, o cargo maior da nação", analisa, acrescentando que "estava caminhando para ser governador da Bahia e, seguramente, presidente da República."
Foi exatamente por conta desta trajetória e deste currículo que foi criada a comenda para reverenciar sua memória, com o objetivo de homenagear personalidades que contribuíram para o desenvolvimento político e administrativo da Bahia e do Brasil. "E as quatro personalidades que hoje estão sendo agraciadas têm relevantes serviços para a Bahia e o Brasil. O senador Antonio Carlos Magalhães é, sem dúvida, o maior líder da Bahia republicana; o governador Paulo Souto é um homem digno e competente; o senador César Borges dignifica nosso estado na Câmara Alta; e o conselheiro Otto Alencar é um exemplo de homem público. São todos da mais alta significação", arrematou Clóvis Ferraz.
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