Com o objetivo de diminuir as graves estatísticas relativas à violência contra a mulher na Bahia, a deputada Lídice da Mata (PSB) protocolou na Secretaria Geral da Mesa indicação à Secretaria da Segurança Pública solicitando a criação e administração de mais três delegacias da mulher no estado.
As estatísticas referentes à violência contra a mulher são alarmantes, adverte a parlamentar em seu documento. Somente nos sete primeiros meses deste ano foram registradas 3,2 mil ocorrências de agressões físicas em Salvador, tratando-se de homicídios, lesões corporais, estupros e atentados violentos ao pudor, dentre outras. O número de homicídios tentados, naquele período, chegou a 198 casos, contra 44 registrados em todo o ano de 2004. Referindo-se a homicídio doloso (agressão com a intenção de matar), registraram-se 42 casos na primeira metade deste ano, enquanto em 2004 as ocorrências chegaram a apenas 35, informa Lídice, ressaltando o crescimento rápido dos índices.
Em termos gerais, no estado foram computados oficialmente no primeiro semestre deste ano 12.718 casos de violência contra a mulher, continua a parlamentar, frisando que estudos específicos provam que a mulher só registra sua queixa no órgão público quando já se encontra no limite de sua resistência física e psicológica, já sob risco de morte, o que faz concluir que são inúmeros os casos que não são levados ao conhecimento dos órgãos oficiais, permanecendo ocultos.
De acordo com ela, a deficiência do estado, em face de sua única delegacia especializada, é ímpar e sintomática no particular, já que tal não se observa nos demais estados brasileiros de semelhante porte. São Paulo conta com 126 delegacias voltadas para esse fim, tendo sua Academia de Polícia incluído uma disciplina específica denominada "Vitimologia Feminina", que visa formar policiais conscientes das especificidades das vítimas e das ações criminosas. Este é o esforço a ser seguido pela Bahia, considerando-se evidentemente suas peculiaridades e limitações, dentre as quais o fato da maioria da população (50,6% do total) ser constituída por mulheres, argumenta a autora da moção, acrescentando que a violência de gênero não escolhe cor, raça, nível social, econômico ou cultural, e geralmente acontece à noite ou no íntimo dos lares, o que dificulta ainda mais a investigação e repressão, e facilita sua propagação, mediante a certeza da impunidade.
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