Com objetivo de discutir a realização do Fórum Mundial da Água, que acontece em Brasília, de 17 a 22 de março; e organizar a participação da caravana baiana que representará o Estado no Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama) que acontece simultâneamente, a Frente Parlamentar Ambientalista da Bahia promoveu ontem pela manhã uma audiência pública sob a presidência do deputado Marcelino Galo (PT).
O parlamentar petista, que além de comandar este movimento é o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública e do colegiado de Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídrico, reuniu todos os segmentos da capital e interior que lutam pelo tema “Água é direito, não mercadoria”. Também secretários e técnicos representantes dos órgãos estaduais, movimentos que lutam pela defesa da água e em especial os pequenos produtores da cidade de Correntina.
OBJETIVOS
O Fama 2018 tem uma série de objetivos, entre eles “ser um evento democrático, transparente, participativo, descentralizado e acessível. Ainda sensibilizar e mobilizar a população sobre o tema e a problemática da água e saneamento, além de denunciar “a ilegitimidade do Fórum Mundial da Água e responsabilizar governos pelo uso de recursos públicos na promoção de interesses privados”. Também propor e cobrar ações dos governos por políticas públicas de pleno acesso à água e saneamento como direito fundamental e com amplo reconhecimento das Nações Unidas, além de reforçar a luta contra a mercantilização da água.
O lema “Água é Direito e Não Mercadoria visa tornar estas ações um processo permanente na perspectiva inicial de criação de espaços públicos de discussão, como comitês populares para a construção do Fórum Alternativo Mundial da Água”, disse Galo.
O petista destacou que o Fama será realizado para contrapor o Fórum Mundial da Água, que é realizado e patrocinado por organizações mundiais e sem compromissos com a sociedade. “Trata-se de uma luta mundial para reafirmar que a água é um direito humano”, continuou. A nossa Frente Parlamentar é mista entre a Alba, movimentos populares, sociedade e sindicatos.
Situação de Correntina também foi discutida na reunião
Alegando que o agronegócio instalado na região de Correntina “sempre cobiçou o bem mais preciso dos ribeirinhos: a água”, A Pastoral da Terra e líderes dos pequenos agricultores do município apontam que pelo menos 17 riachos do Rio Arrojado estão totalmente secos.
Dizem também que empresas como a Sudotex, Celeiro, BrasiAgro e Igarashi - com investimentos de outros países como Nova Zelândia, Estados Unidos e Japão - vêm avançando cada vez mais sobre os rios. Somente a Igarashi, multinacional de origem japonesa, consome hoje um volume de água equivalente a 100 vezes mais que toda a sede do município de Correntina.
Os líderes de Correntina esclareceram também que a pauta dos movimentos é pela suspensão das outorgas para as grandes empresas “que vêm desmatando, secando os rios e violentando essa população há tantos anos”.
REDES SOCIAIS