O administrador de empresas Luiz Henrique Franco Timoteo reafirmou ontem, em depoimento à CPI do Cacau, as denúncias de que a praga da vassoura-de-bruxa foi disseminada no sul da Bahia de forma criminosa por militantes do PT. No depoimento, que durou mais de três horas, Timoteo resgatou outra denúncia: a vassoura-de-bruxa também teria sido introduzida intencionalmente, há 13 anos, por um grupo de cacauicultores e empresários baianos na Costa do Marfim – país africano que hoje é o maior produtor de cacau do mundo. Presente à sessão, o superintendente da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Geraldo Dantas Landim, informou, no entanto, que não existe vassoura-de-bruxa no continente africano.
O início dos trabalhos da CPI foi marcado pela ausência do jornalista Policarpo Júnior, autor da reportagem publicada na revista Veja que denunciava o “terrorismo biológico” no sul da Bahia. Ele apontou o período pré-eleitoral como justificativa para sua ausência, alegando que a publicação da editora Abril não teria outros jornalistas para substituí-lo na cobertura política. O depoimento de Policarpo foi adiado para o dia 10 de outubro, após as eleições, quando os integrantes da CPI voltarão a se reunir.
Após fazer o tradicional juramento de que iria falar somente a verdade, Luiz Henrique Franco Timoteo resgatou as denúncias que já tinha feito à Veja e em depoimento à Polícia Federal. Ele contou que, em 1987, participou de uma reunião no antigo bar Caçuá, localizado em Itabuna, onde a cúpula do PT teria planejado a introdução e disseminação na região cacaueira da Bahia da vassoura-de-bruxa. O objetivo, afirmou, “era enfraquecer economicamente os produtores de cacau para tomar o poder na região cacaueira”.
Segundo Timoteo, participaram da reunião entre oito e dez pessoas, entre as quais estavam presentes: Geraldo Simões (ex-prefeito de Itabuna), Wellington Duarte (atual coordenador-geral de apoio operacional da Ceplac), Elieser Corrêa (chefe do Centro de Extensão e Educação da Ceplac), Everaldo Anunciação (ex-coordenador geral de apoio operacional da Ceplac) e Jonas Nascimento, conhecido como Jonas Babão (atualmente encarregado de assuntos pedagógicos da Ceplac).
O administrador de empresas contou que ele mesmo ficou encarregado de trazer o material infectado de vassoura-de-bruxa da região Norte. Timoteo disse ainda que trouxe pessoalmente ramos infectados com a praga dos municípios de Ouro Preto do Oeste, Jaru, Cacoal e Ariquemes – todos localizados em Rondônia. Entre 1988 e 1991, aconteceram mais duas viagens para trazer os ramos com a vassoura-de-bruxa, que teriam sido disseminados em fazendas de diversos municípios da região sul da Bahia, a exemplo de Camacan, Travessão, Buerarema e Itabuna, dentre outros. “Essa operação era conhecida dentro do PT como Cruzeiro do Sul, com a estrela de quatro pontas significando que a vassoura-de-bruxa seria disseminada nos quatro pontos cardinais", diz.
Timoteo acusou ainda Geraldo Simões, quando já era prefeito de Itabuna, em 1994, de ter lhe dado o equivalente a 20 mil dólares (metade em dólar e metade em francos suíços) para que deixasse o município. O objetivo era evitar que ele servisse de testemunha “e desvendasse o segredo sobre a introdução e disseminação da praga na Bahia”. Contou que saiu de Itabuna logo após o recebimento do dinheiro, acrescentando que ele já teria tentado denunciar o crime outras vezes, mas não obteve sucesso. Admitiu, no entanto, que só denunciou o caso após ter se encontrado com o senador César Borges, que o teria aconselhado a tomar esse caminho.
Alguns deputados consideraram inconsistente o depoimento do administrador de empresa. O vice-presidente da CPI, Valmir Assunção (PT), por exemplo, observou que a CPI precisa agora buscar as provas de que Timoteo está falando a verdade, já que ele alega ter destruído todos os documentos relacionados ao caso após orientação de Geraldo Simões. Entre outras acusações, Timóteo disse ainda que a cúpula do PT teria furtado uma máquina off-set da Ceplac para imprimir material de campanha. Contudo, o próprio admitiu não ter provas de qualquer acusação apresentada.
Em relação à denúncia de que a vassoura-de-bruxa teria sido levada há 13 anos para África, também de forma criminosa, o relator da CPI, deputado Fábio Santana (PRP), informou que a comissão não investigará isso e que se restringirá às acusações que envolvem a região sul do estado. “Isso poderia provocar até um problema de ordem internacional. Por isso, devemos ter muito cuidado em relação a isso”, alertou. O membro da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Thomas Hartman, diz já ter ouvido a denúncia, mas ressalta que se realmente existiu, a tentativa de “terrorismo biológico” na África não foi bem sucedida. “A praga não iria surgir agora, depois de 13 anos de implantada”, definiu.
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