A CPI do Cacau, Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga as denúncias de sabotagem contra a lavoura cacaueira, ouviu na manhã de ontem os depoimentos de Antônio Manoel e Antônio da Silva Costa, então dirigentes da Ceplac quando começou a disseminação da vassoura de bruxa.
O primeiro a falar foi o agora presidente do Sindicato Rural de Itapebi, Antônio Manoel, que, apesar de se dizer “perplexo com a repercussão jornalística do tema tanto tempo depois”, disse acreditar que a disseminação da praga foi “criminosa”. “Inclusive, dei entrevistas à TV Santa Cruz na época colocando este posicionamento”, respondeu. O depoente, porém, não soube explicar por que só agora a questão voltou à baila “com tanta força”.
Ao falar sobre o foco da vassoura de bruxa em 1989 no município de Camacã, ele garantiu que adotou as medidas cabíveis para debelar a praga. “Criamos um conselho de combate seguindo a tecnologia prescrita pelo setor de pesquisa da Ceplac. Além disso, encaminhamos as denúncias que surgiram na ocasião à Polícia Federal”, disse, respondendo as indagações do relator da CPI, deputado Fábio Santana (PRP).
Mesmo tendo atuado em alguns cargos diretivos nas estruturas governamentais e sendo atualmente também secretário de Agricultura do município de Itapebi, governado pelo seu filho, Antônio Manoel esquivou-se quando perguntado sobre questões ligadas a posicionamento político. “Prefiro não falar sobre isso”, declarou.
POLÊMICAS
O outro depoimento à CPI, presidida pelo deputado Heraldo Rocha (PFL), foi do engenheiro agrônomo e então diretor do departamento de extensão da Ceplac, Antônio da Silva Costa. Apesar de afirmar que existiam evidências de que houve a participação humana no transporte do material contaminado, ele disse que não poderia afirmar que houve uma ação criminosa. “Não tenho provas para fazer esse tipo de afirmação”, declarou.
Ele tratou ainda dos movimentos grevistas que eclodiam na entidade naquela época, provocando uma polêmica sobre o tema ao falar do “patrulhamento dos militantes”. Os deputados Sandro Régis (PL), Álvaro Gomes (PCdoB), Lídice da Mata (PSB) e os petistas Zé Neto e Valmir Assunção, vice-presidente do colegiado, fizeram avaliações distintas sobre a greve dos técnicos e sua influência na propagação da vassoura de bruxa na região.
AGILIDADE
Com o objetivo de agilizar ainda mais o processo de investigação, os parlamentares decidiram que vão usar todos os instrumentos disponíveis. Além de uma visita à Polícia Federal para buscar dados e trazer informações que ajudem no trabalho da CPI, por sugestão de Lídice da Mata, o colegiado vai realizar reuniões internas para traçar os métodos que possam acelerar a apuração. Os parlamentares decidiram também transferir as reuniões da CPI de terça-feira para quarta-feira.
Na próxima semana, o colegiado vai ouvir o então diretor-geral da Ceplac, Joaquim Cardoso, e o especialista da Unicamp Gonçalo Guimarães.
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