MÍDIA CENTER

Mais três testemunhas prestam depoimento à CPI do Cacau

Publicado em: 22/11/2006 00:00
Editoria: Diário Oficial

Paulo Câmera, Heraldo Rocha e Fábio Santana na mesa durante o depoimento de Joaquim Cardoso, ex-diretor da Ceplac
Foto:

Os depoimentos de dois técnicos e do ex-diretor da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Joaquim Cardoso, à CPI do Cacau reforçaram a teoria de que a disseminação da praga da vassoura-de-bruxa na região sul da Bahia foi criminosa. “Não temos mais nenhuma dúvida em relação a isso. Resta descobrir agora quem foram os autores”, declarou o presidente da CPI, deputado Heraldo Rocha (PFL), na sessão de ontem, que durou mais de três horas.

No final dos depoimentos, ficou claro que os focos da vassoura-de-bruxa tiveram início em três pontos relativamente eqüidistantes: Ibirapitanga, Uruçuca e Camacã. Ibirapitanga fica a 80km ao norte de Uruçuca, primeiro ponto onde foi achada a praga em 1989, enquanto Camacã está localizada a 140km ao sul. “A forma como os focos se desenvolveram deixa claro a sua origem criminosa”, acredita Milton José da Conceição, na época coordenador do pólo de combate à vassoura-de-bruxa da Ceplac.

Apesar do fungo ter sido descoberto em Uruçuca, é provável que ele tenha sido disseminado primeiro em Camacã. Isso porque, quando foi descoberta, a praga neste último município já estava bem mais propagada, como explicou Antônio Zózimo, que coordenou também pela Ceplac o combate à praga. Em seu depoimento à CPI, ele contou que inclusive encontrou, junto com outros técnicos do órgão, cinco ramos infectados amarrados com barbante numa fazenda da região.

O diretor da Ceplac na época em que foram descobertos os focos, Joaquim Cardoso, foi a primeira testemunha a ser ouvida ontem pela comissão. Ele criticou a forma que o poder público lidou com a crise da lavoura cacaueira na Bahia. “O programa de financiamento da lavoura cacaueira, por exemplo, está eivado de erros”, lamentou Cardoso, que é produtor de cacau.

Segundo ele, o prazo dado para o pagamento da dívida, de quatro anos, não levou em consideração aspectos importantes como o tempo necessário para plantação e colheita. “A Bahia continua com vantagens ótimas para a produção de cacau, mas se não houver uma solução para essa questão do endividamento dos produtores, a crise não acabará”, acredita Cardoso. Ele explica que já foi apresentado um plano para repactuação das dívidas, inclusive aprovado pelo ex-ministro de Agricultura, Roberto Rodrigues, mas esbarrou na burocracia do governo federal. “A questão agora é política”, definiu ele, pedindo o apoio da Assembléia Legislativa.



Compartilhar: