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Ex-dirigente da Ceplac confirma a existência de saco com fungos

Publicado em: 04/12/2006 00:00
Editoria: Diário Oficial

Os integrantes da CPI do Cacau, sob a presidência de Heraldo, ouviram o ex-chefe do centro de pesquisa da Ceplac, Sena Gomes
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O ex-chefe do centro de pesquisa da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Sena Gomes, afirmou ontem, em depoimento à CPI do Cacau, que encontrou em sua sala no órgão, no ano de 1989, um saco com ramos infectados com o fungo da vassoura-de-bruxa. Junto com o material, acrescentou ele, havia um bilhete com a seguinte frase: “Vão procurar vassoura-de-bruxa em outros locais, idiotas”. Para os membros da CPI, esse é mais um forte indício de que a praga foi disseminada na região sul do estado de forma criminosa.

Gomes, que é fisiologista de plantas, contou que o saco foi entregue ao então diretor da Ceplac na época, Carlos Vianna, e que o assunto ficou a cargo da assessoria jurídica do órgão e da Polícia Federal. Ele não soube informar, no entanto, se alguma sindicância foi aberta, contando nunca ter sido chamado pela Polícia Federal para depor sobre o ocorrido.

Outro forte indício de que a praga foi disseminada de forma criminosa, segundo o cientista, é o fato dos primeiros focos terem aparecido quase que simultaneamente em dois locais distintos: Uruçuca e Camacã – não por acaso duas regiões onde a lavoura de cacau estava mais forte na época. “Primeiro, é impossível que o fungo da vassoura-de-bruxa tenha vindo da região Norte de forma natural, por aves ou pelo vento. Além disso, a forma como a praga avançou mostra que, provavelmente, foi intencional”, explicou Sena Gomes.

O presidente da CPI, deputado Heraldo Rocha (PFL), voltou a manifestar sua surpresa pelo fato de ter demorado tanto tempo para as denúncias de disseminação criminosa da praga terem vindo à tona. “Os técnicos da Ceplac e os produtores de cacau não comentavam o assunto? Por que isso nunca foi mencionado na impressa especializada na época?”, questionou ele.

O deputado Pedro Alcântara (PL) chegou a sugerir que sejam realizadas sessões secretas de modo a deixar as testemunhas mais à vontade para fazer suposições sobre possíveis autores da sabotagem ambiental. Uma medida decidida na sessão de ontem da CPI foi uma consulta à Polícia Federal para que os membros da comissão tenham acesso às investigações da época. A CPI decidiu também convocar para depor na próxima sessão os ex-diretores da Ceplac, Roberto Setúbal e Cloildo Sampaio, e o agente da Polícia Federal, José Carlos Batéa.



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