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Sessão na ALBA é marcada por luta em defesa do Banco do Nordeste

Publicado em: 29/04/2019 21:39
Editoria: Notícia

A sinalização dada pelo ministro da Economia Paulo Guedes de que fará a fusão do Banco do Nordeste (BNB) com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vem provocando reações enfáticas de líderes políticos, empresariais e sindicais de todo Nordeste E na Bahia não tem sido diferente. A sessão especial realizada na manhã dessa segunda-feira (29), na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), foi marcada pela defesa unânime e vigorosa da importância de se preservar o Banco do Nordeste. O evento reuniu deputados federais e estaduais, entre eles o presidente da Casa, deputado Nelson Leal (PP), o presidente da Federação das Indústrias da Bahia (FIEB), Ricardo Alban, além de representantes de outras entidades, e o vice-governador João Leão (PP)


A primeira defesa do Banco do Nordeste veio do proponente da sessão, o deputado Eduardo Salles (PP). “O BNB é o maior banco de desenvolvimento regional da América Latina e opera o maior programa de microcrédito produtivo orientado da América do Sul”, afirmou. Para Salles, a fusão dos bancos prejudicaria a região porque os recursos do BNDES ficam “muito concentrados” nas áreas mais ricas do Brasil, enquanto o BNB tem maior volume de recursos investidos na região. 

Eduardo Salles lembrou ainda que o Banco do Nordeste é uma estrutura produtiva, com cerca de sete mil profissionais gabaritados e que atendem a quatro milhões de clientes ativos – representando quase 54 milhões de habitantes - em 1.990 municípios, sendo 1.262 na região semiárida, conhecendo como poucos a realidade nordestina. “Apenas no ano passado foram quase cinco milhões de operações, movimentando R$ 43,3 bilhões na região”,  observou Salles. 

O presidente Nelson Leal também manteve uma posição firme pela preservação da instituição financeira. “Precisamos fazer uma defesa vigorosa do Banco do Nordeste, que é o principal agente financeiro para o desenvolvimento do Nordeste e, especificamente, da Bahia”, afirmou. De acordo com ele, em 2018, o BNB injetou R$ 43,3 bilhões no Nordeste e no Norte dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, enquanto, no mesmo período, o BNDES desembolsou cerca de R$ 70 bilhões para o país inteiro.

Já o presidente da Fieb, Ricardo Alban, lembrou que o BNB é o agente operador do  Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) - vital para o desenvolvimento da região. “O BNB tem um papel muito importante na política de redução da desigualdade do Nordeste em relação às outras regiões. Ele é fundamental para a agropecuária, agricultura, industrialização, microcrédito aos micro e pequenos empresários e investimento estratégico na infraestrutura", observou o presidente da Federação das Indústrias da Bahia.

O vice-governador João Leão (PP) conclamou a todos os deputados da região Nordeste a se levantarem contra fusão. “Essa é uma luta de todos nós, independentemente de partido. Pode ser do DEM, do PT, PP. Todos os partidos do Brasil, vamos para cima”, afirmou o vice-governador, lembrando que ele mesmo usou os recursos do BNDES para implantar empreendimentos na Bahia, gerando empregos e renda para a Bahia. 
O deputado federal João Roma (PRB) reforçou que a defesa do banco precisa ser pluripartidária. Para ele, o papel do Banco do Nordeste é fundamental para promover com eficácia o desenvolvimento da região. Ele lembrou que outros órgãos já vêm sendo desparelhados, a exemplo da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). E acrescentou que o BNB tem um papel fundamental no fomento ao microcrédito. “Ele beneficia milhares de micro, como o cidadão que conseguiu aquele dinheirinho para comprar seu carrinho de pipoca”, exemplificou Roma.

Para João Roma, um dos maiores problemas da fusão é que o BNDES não conhece a realidade do Nordeste. “A Bahia não é só uma Bahia. A gente tem a Bahia do Recôncavo, do semiárido, do litoral. São realidades bem específicas e é preciso que um banco de fomento de desenvolvimento as conheça bem”, acredita o deputado. Ele também criticou o decreto assinado no apagar das luzes do governo do então presidente Michel Temer que cortará o subsídio para energia elétrica do produtor rural. “Isso vai aumentar em 43% o custo do pequeno produtor, segundo cálculos já feitos. E será sempre o consumidor que arcará com o custo do produto final”, afirmou.


O Banco do Nordeste foi criado pela Lei Federal nº 1649, de 19 de julho de 1952, para atuar no chamado Polígono das Secas. A empresa assumia então a atribuição de prestação de assistência às populações dessa área, por meio da oferta de crédito. Em 66 anos, o Banco teve sua atuação ampliada: está presente em cerca de dois mil municípios, abrangendo toda a área dos nove estados da Região Nordeste (Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia), além do  Norte de Minas Gerais (incluindo os Vales do Mucuri e do Jequitinhonha) e o Norte do Espírito Santo. Atualmente, mantém a liderança na aplicação de recursos de longo prazo e de crédito rural em sua área de atuação.

Hoje, o BNB orienta-se pela missão de agir como o banco de desenvolvimento do Nordeste, com o propósito de ser reconhecido por sua capacidade de promover o bem-estar das famílias e a competitividade das empresas da Região. São clientes do Banco agentes econômicos, institucionais e pessoas físicas. Os agentes econômicos compreendem as empresas (micro, pequena, média e grande empresa), as associações e cooperativas. Os agentes institucionais englobam as entidades governamentais (federal, estadual e municipal) e não-governamentais. As pessoas físicas compreendem os produtores rurais (agricultor familiar, mini, pequeno, médio e grande produtor) e os empreendedores informais.


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