“O jornalismo brasileiro perdeu um dos seus grandes mestres e a conversa política, a partir de hoje, estará menos afiada sem Paulo Henrique Amorim. Sem dúvida, um dos jornalistas mais brilhantes de sua geração, polêmico, crítico e insubmisso. Somando-se à perda de (Ricardo) Boechat, em fevereiro passado, a crônica política amanheceu hoje muito mais pobre. Diariamente, o Conversa Afiada – seu site de notícias e comentários – era uma das minhas primeiras leituras”, lamentou o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), deputado Nelson Leal.
Além da relevância profissional de PHA – como o jornalista era conhecido –, Nelson Leal destaca as relações afetivas que Paulo Henrique mantinha com a Bahia: era filho do jornalista baiano Deolindo Amorim, natural de Baixa Grande, no piemonte da Chapada Diamantina, e casado com a jornalista baiana Geórgia Pinheiro, formada pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. “Em novembro de 2015, PHA recebeu da Assembleia Legislativa da Bahia o Título de Cidadão Baiano, através de proposição do então deputado estadual Zé Neto (PT), confirmando apenas a baianidade que já lhe corria nas veias. Portanto, a relação de carinho que ele tinha com a Bahia e os baianos não era mera formalidade”, ressaltou Leal.
O presidente da Assembleia Legislativa já apresentou moção de pesar junto à Mesa Diretora da ALBA, em solidariedade aos familiares, aos muitos amigos e milhões de leitores que o jornalista conquistou em seus 77 anos de vida. “Rogo a Deus para consolar a família enlutada, na pessoa da jornalista Geórgia Pinheiro, oferecendo a nossa solidariedade e o conforto espiritual necessário neste momento difícil de perda de uma pessoa tão querida e tão importante para o Brasil”, destacou o chefe do Legislativo baiano.
CAATINGA E BOCA DO INFERNO
À época, em seu discurso na tribuna, quando da homenagem na ALBA, Paulo Henrique Amorim relembrou das suas origens e influências baianas: “Essa Bahia de Deolindo Antônio se instalou naquela casa no Rio de Janeiro, de aposentos modestos, de um funcionário público subalterno do Ministério da Fazenda e um jornalista de vocação. É a Bahia da carne do sol, da farinha até a sobremesa, a farinha para cobrir o melado da cana. Veio junto com Deolindo Antônio, um estilo de escrever que lembra a caatinga, um estilo seco, sem adjetivo, gracilianamente alagoano, um estilo na ponta da faca, que o filho herdou. E o filho hoje jornalista, que tem um blog de nome Conversa Afiada, e talvez tenha herdado também da Bahia, além deste texto sem gordura do pai, uma boca do inferno, de outro poeta daqui, Gregório de Matos Guerra”.
E continua o seu discurso: “A Bahia do sertão para mim caiu no mar quando este cidadão carioca se casou com a baiana mais bonita da Bahia, Geórgia Cardoso Pinheiro, de Oxum, de todos os santos e demônios, do acarajé, da música, da gargalhada, da maledicência no bom sentido, da mesa farta, da família que não termina de chegar já que está sempre chegando um. Por causa dessa mistura, do seco do Deolindo com o olhar de Geórgia, me sinto muito honrado de ser baiano”, completou.
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