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Legislativo homenageia in memoriam Dom Hélder Câmara e Dom Paolo Tonucci

Publicado em: 29/08/2019 22:12
Editoria: Notícia

Em uma concorrida cerimônia, dois expoentes religiosos que se destacaram à luta em defesa dos direitos humanos na Bahia e no Brasil - Dom Helder Câmara e padre Paolo Maria Tonucci -  foram homenageados (in memoriam), na manhã desta quinta-feira (29), pela Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), em sessão especial. Proposto pela deputada Maria del Carmen (PT), o evento contou com a presença de representantes religiosos, movimentos sociais e de parlamentares.
A cerimônia foi aberta com uma procissão, na qual o assessor eclesiástico da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na Bahia e em Sergipe, padre Ferdinando Caprini, fez invocação aos antepassados, reverenciando, além dos homenageados, outros líderes religiosos que viveram em defesa dos excluídos e marginalizados, a exemplo de Irmã Dulce dos Pobres, Mãe Gilda de Ogum, Mãe Stella de Oxossi, Makota Valdina e padre Luís Lintner. 
Em sua fala, Maria del Carmen pontuou os retrocessos nos direitos humanos que o Brasil vêm sofrendo nos últimos anos e ressaltou a necessidade de resgate da memória de lideranças que fizeram da religião um instrumento de promoção de políticas públicas em defesa dos direitos dos menos favorecidos.
A parlamentar chamou a atenção para situação atual do Brasil, cujo governo subestima a luta histórica pelos direitos humanos, e questionou qual seria a reação do Patrono Brasileiro dos Direitos Humanos, “ao tomar conhecimento do crescimento da desigualdade no Brasil pós-golpe de 2016, dos mais de 13 milhões de desempregados, mais de 28 milhões de trabalhadores subutilizados e quase 5 milhões de desalentados?”

Um dos religiosos que mais lutaram pela dignidade da população vulnerável, Hélder Câmera foi, segundo a petista, defensor intransigente do amor, da Constituição Federal, do zelo ao ser humano, independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição.

COMPROMISSO

A respeito de Padre Paolo Tonucci, que aos 26 anos chegou ao Brasil, Maria del Carmen ressaltou o seu compromisso com os movimentos populares de promoção dos diretos humanos “e por isso, não conseguiu a tão almejada cidadania brasileira nos governos militares e nem nos governos de direita que se sucederam”. 

Irmão do padre homenageado, Giovanni Tonucci agradeceu à ALBA pela iniciativa. Referindo à dupla união fraternal com padre Paolo Maria Tonucci, por consanguinidade e pela opção religiosa, o bispo de Florença reconhece, embora não tivesse a mesma notoriedade universal que Dom Hélder, “sua vida marcou fortemente a história das comunidades as quais ele serviu com o mesmo espírito de doação evangélica”, afirmou. 
Sobre Dom Hélder Câmara, o bispo italiano conta que o conheceu em 1970, no Brasil, quando veio visitar o irmão e realizar pesquisa sociológica. Desejava conhecer o pensamento do bispo brasileiro, na época da ditadura, marcada por acontecimentos dramáticos, quando a imprensa nacional se referia a ele como “o bispo vermelho” e o tachava de comunista.

“Apesar dos ataques hostis a Dom Hélder, ele seguia sereno, sem sinal de polêmica ou de rancor. Naquele momento tive a nítida impressão de alguém que falava, não de suas próprias ideias, mas sim, dos ideais do evangelho, dos quais era porta-voz competente e convincente”, relatou.
Pastora presbiteriana, Sônia Gomes, diretora-executiva da Cese, ressaltou a importância da homenagem “para o resgate da memória de pessoas que tanto fizeram pelos direitos humanos, nesse contexto de criminalização, de perseguição a defensores de direitos, em um contexto de total retirada de direitos das pessoas mais empobrecidas, mais fragilizadas, e em um contexto de crescimento de intolerância”, justificou.
Representando Dom Murilo Krieger, o pároco José Carlos, da Igreja Nossa Senhora de Guadalupe, parafraseou o religioso catalão Dom Pedro Casaldáliga. “Estamos homenageando homens e mulheres que subverteram a ordem e lutaram como revolucionários e que na sua essência, da luta e da revolução, o motor que os impulsionava era a fé”.

Além da proponente, compuseram a mesa: padre José Carlos, representando o arcebispo Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger; o bispo em Florença (Itália), Dom Giovanni Tonucci, irmão do homenageado; a defensora pública Eva Rodrigues; o padre Jorge Brito, da Pastoral de Saúde, Filho de Maria e Servo dos Pobres; padre Miguel Ramon, presidente do projeto Ágata Esmeralda Itália e Conexão Vida Brasil; Antônio Oliveira, do Centro Dom Hélder Câmara em Salvador; a presidente da Associação Paulo Tonucci (Apito), Délia Boninsegna; a Ya Gabriela, representando Mãe Jaciara Ribeiro e os Terreiros de Candomblé de Salvador; o padre Omar Júnior, representando a Diocese de Camaçari; pastora e diretora-executiva da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese) Sônia Gomes; a representante da Pastoral Afro, Roberjane Nascimento e o deputado Aderbal Caldas (PP).



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