A deputada Olívia Santana (PC do B) apresentou, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), moção de pesar pelo falecimento do maestro e criador da Orkestra Rumpilezz, Letieres Santos Leite, aos 61 anos. “A combinação harmoniosa e expressiva do som se desfez, perdeu frequência e se contraiu tal qual melodia abafada, sem ritmo, sem tom e sem nada. É que os ventos tropicais dessa quarta-feira (27 de outubro) sopraram o destino inescapável e elevaram o Maestro para outra dimensão, para vida expandida, a paisagem não vista”, declarou a parlamentar, no documento.
Olívia disse que a Bahia e o mundo musical estão consternados com a partida precoce e inesperada do “Maestro extraordinário Letieres Santos Leite”. De forma poética, ela apontou a ausência física do artista “como um concerto sem os instrumentos musicais, partituras sem notas e violão sem cordas”.
“Letieres revolucionou, inovou, criou ritmos, formou pessoas, deu vida e alegrou muita gente. Multidões estremeceram o chão de praças, ruas, vielas, palcos e tantos outros espaços com as músicas, arranjos e composições do nosso artista encantado. Ele é desses guerreiros presentes, intrépidos e consequentes”, elogiou a legisladora.
Ela lembrou ainda que Letieres, com sua arma musical, “enfrentou preconceitos, combateu o racismo e afirmou de maneira contundente e definitiva a cultura negra extraída da seiva do Candomblé, da capoeira e dos quilombos”.
“Letieres é um tombo, cachoeira alta, volumosa, que deságua nos rios, corre para os mares e oceanos. Ele é a ideia e o plano contínuos, perenes, revolucionários, inquietos e indignados. O trovão que liga o som da terra ao céu da imensidão. Letieres é música que não morre, moda de viola raiz, berimbau arrepiado, batuque que vem lá do mato acordar a cidade e sintetizar um novo dia. Letieres é a Bahia calma e ela mesma em plena euforia, na maior folia de carnaval, no arrasta pé de São João, na poeira do samba de roda, na compenetração da música clássica ou no swing agitado do paredão, Letieres é o Leite da melhor canção”, definiu a deputada.
Olívia Santana descreveu o arranjador e multi-instrumentista como “um tipo Quincy Jones da música brasileira contemporânea” e destacou parcerias e participações dele na produção de músicas, shows e apresentações de artistas e grupos como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Naná Vasconcelos, Elza Soares, Elba Ramalho, Lulu Santos, Carlinhos Brown, Hermeto Pascoal, Margareth Menezes, Larissa Luz, Gerônimo, Saul Barbosa, Nara Couto, Ilê Aiyê, Olodum, Timbalada e Baiana System.
A deputada trouxe, na moção, um pouco da história do maestro, nascido no dia 8 de dezembro de 1959, em Salvador, sendo um dos oito filhos de dona Maria do Carmo dos Santos Leite e seu Antônio Letieres Leite.
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