“Grande perda para a Bahia. Personalidade admirável, o professor Cid Teixeira relatou em livros, aulas e entrevistas memoráveis as histórias da cidade da Bahia. De nossas ruas, das festas, de tudo. Já ouvi ele contando algumas histórias com aquele vozeirão forte – que encantava a todos – e de profundo conhecimento sobre a história do nosso estado”, declarou a deputada Fabíola Mansur (PSB), que inseriu, na ata dos trabalhos da Assembleia Legislativa, uma moção de profundo pesar pelo falecimento de “Cid Teixeira, a memória eterna da Bahia, que nos deixou nesta terça-feira, dia 21 de dezembro de 2021, aos 97 anos”.
Cid José Teixeira Cavalcante nasceu em Ilha de Maré, no dia 11 de novembro de 1924, informa a parlamentar. Filho de Cidália e José, foi denominado Cid José e conhecido para o resto da vida como Cid Teixeira. Formou-se bacharel em direito pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), em 1948, mas advogado foi a única profissão que não exerceu. Professor de história da Faculdade Católica do Salvador (UCSal) e da Universidade Federal da Bahia, foi também diretor da Fundação Gregório de Mattos (na gestão da prefeita de Salvador, Lídice da Mata) e implantou o Serviço de Rádio Educação da Rádio Educativa da Bahia. Ocupava a cadeira de nº 19 da Academia de Letras da Bahia (ALB).
A presidente da Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Serviços Públicos da ALBA lembra ainda que Cid Teixeira foi funcionário do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) e desde a juventude dedicou-se ao estudo da História. Era um exímio pesquisador e especialista na história da Bahia e de sua gente. Atuou também como jornalista, com passagem pelas redações do Diário da Bahia, do Jornal A Tarde, como editorialista do Jornal da Bahia e redator-chefe da Tribuna da Bahia. Através da comunicação, Cid Teixeira popularizou seus conhecimentos, produzindo, na rádio e na TV, narrativas de eventos da História da Bahia.
A parlamentar conta que Cid Teixeira escreveu vários livros, entre eles “História da Armação”, “Bahia em Tempo de Província”, “História do Petróleo na Bahia”, “História da Energia Elétrica na Bahia” e um livro de memórias, “Histórias Minhas e Alheias”. Por sua enorme contribuição intelectual e científica, Cid Teixeira foi reconhecido com duas importantes honrarias: a Medalha Thomé de Souza, concedida em 1992 pela Câmara Municipal de Salvador, e a Comenda 2 de Julho, homenagem recebida em 2013 pela Assembleia Legislativa da Bahia. Segundo a socialista, o professor tornou-se fonte para jornalistas e estudantes, pois nunca deixava um repórter sem respostas, sendo muito solícito com todos que o procuravam em busca de saber. Recebia-os em seu apartamento, dedicado somente para seus livros, tamanha era a sua coleção.
No documento, a autora da moção cita a antropóloga e jornalista Cleidiana Ramos, que recorda os momentos em que Cid Teixeira foi sua fonte e inspiração. “Quando ia entrevistá-lo, ganhava o dia, além de ser privilegiada com uma aula particular sobre História da Bahia, que me ajudou e ajuda muito em tantas direções. Além do vasto conhecimento, era extremamente generoso e bem-humorado. Raras vezes vi alguém com tanta facilidade para dominar a comunicação capaz de ser entendida pelos mais variados públicos. E sobre isso ele gostava de lembrar suas experiências em rádio e jornal. A Bahia está se despedindo não apenas de uma mente brilhante, mas acima de tudo de uma pessoa especial que dava leveza à produção intelectual”, afirmou Cleidiana.
“O professor Cid Teixeira vai continuar vivo nas memórias desta amada Bahia. Deixa um legado maravilhoso. Obrigada por tudo, professor. Descanse em paz, mestre!”, concluiu a deputada Fabíola Mansur, solicitando que esta iniciativa seja do conhecimento da família do professor, da Universidade Federal da Bahia, da Faculdade Católica do Salvador, da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) e do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb).
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