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Desenvolvimento Urbano debate impactos das chuvas em Jequié

Publicado em: 16/02/2022 19:15
Editoria: Notícia

Presidente do colegiado, Maria del Carmen Lula defendeu o diálogo com os movimentos sociais como forma de criar um Plano Diretor de Desenvolvimento que atenda aos interesses das pessoas
Foto: AscomdeputdaDelCarmen/AgênciaALBA
“Êh, Chuá, Oh, Meu Deus! Dai-me forças para outra casa levantar. Sou filho dessa batalha e não fujo da raia”. Com este lamento triste, cantado por pessoas da comunidade, foi iniciada nesta quarta-feira (16) a audiência pública “Impactos das Chuvas em Jequié: garantia dos direitos dos atingidos e atingidas pelas enchentes no Médio Rio de Contas”, promovida pela Comissão Especial de Desenvolvimento Urbano da Assembleia Legislativa. Durante a reunião presencial, realizada no Centro Cultural de Jequié, as lideranças de movimentos sociais e das famílias desabrigadas reivindicaram das autoridades um plano coletivo de reconstrução diante da tragédia que causou muitos estragos em vários municípios da Região Sudoeste em plena noite de Natal.



A presidente do colegiado, deputada Maria del Carmen (PT), lembrou que os deputados não tinham a caneta para determinadas ações, mas que havia o compromisso da Casa Legislativa de ser “a voz do povo que mais precisa de soluções”. A parlamentar defendeu o diálogo com os movimentos sociais como forma de criar um Plano Diretor de Desenvolvimento que atenda aos interesses das pessoas, mas que seja efetivamente aplicado e não engavetado, como normalmente acontece. Engenheira de formação, a petista entende que a implantação do Conselho Municipal da Cidade é outra possibilidade para evitar tantos percalços que essas catástrofes provocam nos municípios. “Não tem planejamento se não tiver participação popular. Os movimentos têm de ser chamados para discutir, debater e encaminhar propostas”, argumentou a legisladora, indicando esses avanços como maneira de prevenção “evitando-se futuramente choros e tristezas em razão das enchentes que atingem as populações”.



Titular da Cedurb, a deputada Olívia Santana (PC do B) também marcou presença no evento e confessou que já viveu, ao lado da mãe e irmã, situação idêntica, “tendo que abandonar a casa onde morava, depois que uma árvore caiu sobre a residência”. A presidente da Comissão dos Direitos da Mulher da ALBA exigiu que as administrações municipais, estaduais e o Governo Federal façam sua parte, para evitar que novas tragédias voltem a ser registradas, porque “a terra grita que não aguenta mais, o planeta está esgotado, e o povo pobre não suporta mais tanta fome, miséria, desigualdade social e planejamento desordenado”. Depois do desabafo, a comunista elogiou o esforço do governador Rui Costa que apelou à Assembleia para redefinir o orçamento estadual e frisou que o Parlamento baiano acatou a sugestão, abrindo mão de emendas para atender aos pleitos da região de Jequié em função das chuvas.



SOLIDARIEDADE



Luiz Carvalho Júnior, do Movimento Atingidos por Barragens, considerou importante a sessão para se discutir um projeto de reparação em favor de quem vivenciou esse drama, “já que a solidariedade vai passar, mas os problemas de quem perdeu tudo vão continuar”. O líder do MAB, entidade que existe há 30 anos, denunciou a construção de barragens clandestinas, que – segundo afirma - beneficiam grandes empresas e prejudicam a população. Gabriel Ramos, gerente da unidade da Embasa em Jequié, apresentou um relatório técnico sobre a atuação da empresa no período da enchente até os dias atuais. Através de slides, mostrou o resultado da força das águas em locais de Jequié, Ubatã, Ubaíra, Itagibá, Ipiaú, Apuarema, Gandu e outras cidades, onde ocorreram desmoronamentos de taludes, destruição de redes de água e esgoto e queda de muros.



O ex-deputado estadual Zé Cocá, prefeito de Jequié, não compareceu ao encontro, mas enviou representantes, que enalteceram as orientações do gestor no sentido de minimizar as consequências das chuvas e enchentes dos rios. Marcos Maia, coordenador municipal da Defesa Civil, apresentou um panorama sobre a calamidade. Foram 45 pontos de alagamentos, 15 estradas vicinais com estragos, dezenas de ruas precisando de limpeza pública,100 casas totalmente destruídas e 500 casas com avarias danificadas parcialmente. O gestor agradeceu a Deus “pelo objetivo alcançado de mortes zero” e destacou a parceria do Corpo de Bombeiros, da Chesf e de todas as secretarias municipais, em especial a de Educação, que destinou oito escolas e uma casa de passagem para abrigar homens, mulheres e crianças no momento mais crítico.


CENTRAL DE DOAÇÕES


Uma das questões abordadas na sessão, transmitida ao vivo pela TV ALBA e redes sociais, foi a solidariedade dos baianos. Emerson Nery salientou as atividades dos funcionários do Sistema Único de Assistência Social em meio a todo o processo. Dentre outras coisas, o pessoal do SUAS foi responsável pela Central de Doação da população e empresas. De acordo com Nery, foram 6.124 cestas básicas, 2.280 kits de higiene pessoal, 2.552 kits de material de limpeza, 1.667 pacotes de fraldas infantis e geriátricas, além de 325 colchões, 403 travesseiros, 4.958 cobertores, 8.854 pares de sapatos e quase 3.000 kits de água mineral. Quando a palavra foi franqueada ao público, diversas pessoas da sociedade disseram que “o dever de casa não estava sendo feito com relação à natureza e cobraram providências para que o debate não seja em vão”. Participaram da audiência, dirigentes da Unegro, Casa da Mulher de Jequié, Conselho Municipal de Saúde, CRAS, APLB-Sindicato, Movimento Judô em Ação, Pastoral da Criança, Sindae, Movimento dos Trabalhadores em Direitos (MTB) , Associação de Docentes da Uesb e Diretórios Municipais do PT e PC do B.



No final do encontro, Marlon Pereira, chefe de gabinete da Prefeitura de Jequié, exaltou o empenho da equipe da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e deixou claro ser uma preocupação do prefeito a implantação do Plano Diretor Urbano, projetando o desenvolvimento da cidade para os próximos 50 anos, além de solucionar os problemas das pessoas afetadas. A presidente da Comissão Especial de Desenvolvimento Urbano se comprometeu a elaborar um documento contendo as principais proposições e sugestões levantadas pelas comunidades, dentre elas isenção de IPTU para as áreas atingidas, revisão do Plano Diretor Urbano e a instalação imediata do SAC Móvel para que as pessoas possam tirar novos documentos, sem que precisem pagar nada.





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