Os municípios de Santo Amaro e Cachoeira, no Recôncavo baiano, comemoram neste domingo, 13 de março, aniversário de 185 anos de emancipação política. Na Assembleia Legislativa, a conquista da liberdade das duas cidades mereceu destaque do deputado Bira Corôa Lula (PT) que inseriu, na ata dos trabalhos, uma moção de aplausos, saudando a população e as autoridades pela passagem da data magna. Nos documentos encaminhados, o parlamentar contou sobre a história dos municípios e o desenvolvimento dessas localidades ao longo do tempo.
Santo Amaro, também conhecida pela denominação não oficial como Santo Amaro da Purificação, é um município que tem uma população estimada em 60.190 habitantes (2021). Nasceu às margens dos rios Paripe e Subaé, suas terras eram habitadas pelos povos indígenas Tapuias, Caetés, Pitiguaras e Carijós. Os povos tupis, vindos da Amazônia, chegaram à região, o que ocasionou na expulsão de parte dos antigos povos nativos. A cidade foi fundada em 1557 e cresceu sobre terraços, ao lado do rio Subaé. Em 1559, a sesmaria que englobava o atual território de Santo Amaro foi doada a Fernão Rodrigues Castelo Branco.
O petista lembra que, no ano seguinte, a terra foi doada a Francisco de Sá, filho do governador-geral do Brasil, Mem de Sá. Francisco construiu o Engenho Real de Sergipe e a localidade continuou crescendo. Em 1700 foi inaugurada a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Purificação no ano 1700 e anos mais tarde, o lugarejo foi elevado à condição de vila e de município em 05 de janeiro de 1727, com a denominação de Nossa Senhora da Purificação de Santo Amaro. O legislador explica que o então município alcançou a condição de cidade, com o reconhecimento de sua emancipação, em 13 de março de 1837, sendo denominada de "Leal e Benemérita", tendo hoje o nome de Santo Amaro.
A cidade é cercada de belíssimas cachoeiras e cascatas, muito procuradas por visitantes de todo o mundo. Na Cachoeira Mãe D'água, também chamada de Cachoeira do Urubu, cinco quedas d'água se sucedem entre paredes e a mata tem cerca de 50 metros de desnível. Além da imensidão de belezas naturais, o deputado elogia a riqueza arquitetônica do município, através de antigos casarões, bem como a forte presença religiosa dos moradores, tanto na Igreja Católica ou na cultura dos povos da Matriz Africana. O autor da moção menciona ainda diversas personalidades que ali nasceram e lutam pelo seu desenvolvimento. Terra natal de Caetano Veloso e Maria Bethânia, os filhos famosos de Dona Canô, Santo Amaro também é terra-mãe de José Antônio Saraiva, conselheiro e fundador de Teresina, capital do Piauí, além de José Silveira, Marquês de Abrantes e Teodoro Sampaio.
Santo Amaro também é a cidade natal da sambista Dona Edith do Prato, do cantor e compositor Roberto Mendes, da escritora Amélia Rodrigues e da historiadora Zilda Paim. Bira escreve que, em 23 de março de 1890, veio ao mundo uma outra filha ilustre de Santo Amaro: Agripina de Souza Soares (Mãe Agripina de Sango-Obá Deyi, Ialorixá do Àsé Òpó Afonjá-RJ). No município nasceram ainda Balbino Alves Casaes (Baluarte do Arraial da Pedra), Besouro Mangangá, que virou filme. Foi também filho da terra o artista, professor e etnólogo Manuel Querino, o primeiro negro a interessar-se pela contribuição de sua raça na formação da nacionalidade brasileira.
CACHOEIRA
Na moção que apresentou sobre a emancipação política de Cachoeira, Bira Corôa relatou que o município se situa às margens do Rio Paraguaçu, estando distante cerca de 120 km de Salvador. No ano de 2019, sua população era estimada em 33.470 habitantes. Tem sua história iniciada em meados do século XVI, quando começou o desbravamento da região. “É uma das cidades baianas que mais preservaram sua identidade cultural e histórica com o passar dos anos, o que a faz um dos principais roteiros turísticos históricos do Estado. Um dos municípios mais charmosos da Bahia, Cachoeira foi, durante séculos, importante meio de comunicação entre o litoral e interior. Era a partir dele que notícias, pessoas e mercadorias circulavam entre a capital e o sertão”, afirmou.
De acordo com o petista, por volta do ano de 1531 Portugal enviou expedições com a incumbência de estimular o cultivo da cana-de-açúcar. Por possuir terras propícias a essa cultura, o recôncavo baiano foi escolhido para a instalação dos primeiros engenhos. Em torno de um desses engenhos formou-se um povoado, depois transformado em freguesia, que no ano de 1693 foi elevado à categoria de vila, passando a chamar-se Nossa Senhora do Rosário do Porto de Cachoeira. Paralelo ao seu desenvolvimento econômico, crescia também a importância política de Cachoeira, sendo palco das visitas ilustres de D. Pedro I, D. Pedro II, Princesa Isabel e Conde D'Eu. No ano de 1837, precisamente no dia 13 de março, a vila foi elevada à condição de cidade.
Por fim, o deputado lembra o tradicional São João da Feira do Porto e a Irmandade da Boa Morte, protagonista de uma das principais manifestações do sincretismo religioso do país: a Festa de Nossa Senhora da Boa Morte.
“É com imenso prazer que parabenizo as populações de Cachoeira e Santo Amaro, neste 13 de março, pelos 185 anos de muita luta. Esta Casa se regozija em manifestar os mais sinceros votos de sucesso ao povo dos dois municípios. Dê-se conhecimento desta moção aos prefeitos, seus secretários, aos presidentes das câmaras de vereadores, às lideranças locais e à imprensa”.
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