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ALBA homenageou capitão Fábio Brito e o soldado Wesley Soares Góes

Publicado em: 29/04/2022 15:24
Editoria: Notícia

A Assembleia Legislativa concedeu, em sessão especial na manhã desta sexta-feira (29), a Comenda 2 de Julho a dois policiais baianos: o capitão PM Fábio Brito e o soldado Wesley Soares Góes. A honraria, maior do Parlamento estadual, dedicada a pessoas que prestam relevantes serviços à sociedade baiana, foi outorgada por iniciativa do deputado Soldado Prisco (UB). Segundo o parlamentar, ao homenagear dois integrantes da corporação, ele reverencia toda a Polícia baiana, e enaltece o “trabalho fundamental” que ela exerce em favor da sociedade.




Fábio Brito é estudioso das normas e leis constitucionais e militares, sargento da turma de 1998 e “contribuiu de forma intensa e decisiva em diversos momentos da história recente da PM da Bahia”, declarou o parlamentar. O soldado Wesley Góes foi morto em 27 de março do ano passado por oficiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), após ter apresentado um possível surto psicótico, quando bloqueou a região do Farol da Barra, em Salvador, por quatro horas e disparou tiros de fuzil para o alto e contra policiais.




Conforme o deputado autor das homenagens, o capitão Fábio Brito é merecedor do tributo por ter ajudado, por exemplo, na elaboração da minuta do novo Estatuto da PM; na discussão de pautas estruturais para o conjunto da tropa baiana como a regulamentação do artigo 92; da reforma da Previdência; na defesa do Planserv. “Além de estudioso da segurança pública e das ciências jurídicas, sua excelência e comprometimento são virtudes que o amparam com destaque na luta por direitos, o que perpassou toda sua trajetória de vida”, justificou Prisco.



INSPIRAÇÃO


Por isso, o parlamentar considera ser justa a homenagem, que engrandecerá o currículo do policial e representará um incentivo para que o homenageado continue desempenhando as suas atividades com primor e dedicação.



O capitão recebeu a Comenda com a “sensação de dever cumprido”. “Eu, que vim da periferia, de escola pública, percebo que hoje sou fonte de inspiração para muitos. É muito gratificante receber a maior honraria desta Casa de Leis”, declinou. Fábio Brito chegou a ingressar na Justiça para abandonar a corporação, mas foi desestimulado por amigos e, em final de 2008, ajudou a fundar a Associação dos Policiais e Bombeiros e de Seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), entidade que hoje conta com mais de 15 mil associados e é motivo de orgulho do policial.



Quanto ao soldado Wesley Góes, a homenagem in memoriam foi recebida pela mãe Altiva Maria dos Santos, que acolheu a Comenda 2 de Julho com “muito prazer e alegria”. Para ela, o filho é, sim, merecedor da medalha, por ter sido “um menino bom, carinhoso, que deixava alegria por onde passava”. O soldado, completou, “nunca se queixava do trabalho” que desempenhava.




Ela não sabe explicar o que ocorreu com o filho no dia 27 de março do ano passado. Só sente “uma dor no peito” e reza, “porque todo conforto vem de Deus. Sei que ele está nos braços do Pai, porque era uma pessoa do bem”, declarou, ao lado da filha Sheila de Jesus Soares e da sobrinha Marlene Alexandrino de Souza, presentes à sessão.




Wesley Soares Góes era lotado na 72ª CIMP, em Itacaré, a 250 km de Salvador. Ao homenagear o policial, o deputado Prisco ressaltou que Wesley viajou de Porto Seguro a Salvador para protestar no Farol da Barra, e que a Comenda “representa um clamor de todos os policiais militares do Estado da Bahia”.



Ainda de acordo com o parlamentar, o soldado morto “deu voz aos militares que sofrem dia a dia com condições precárias de trabalho, falta de valorização profissional, salários defasados e falta de perspectiva de ascensão profissional”. Por isso mesmo, disse, ele merece a homenagem, “em respeito a todos os 32.740 militares da Bahia que clamam por melhorias na segurança pública. O clamor do soldado Wesley foi ouvido por milhões de baianos, que reproduziram nos mais distantes pontos do Estado suas palavras de clamor, patriotismo e desejo de dias melhores”, garantiu.



Para o deputado, “o simbolismo de dirigir e percorrer, fardado, tantos quilômetros, em uma viatura, sozinho, para protestar, foi um grito de socorro e Wesley o conseguiu. Conseguiu ser visto e chamar a atenção para o problema e o caos que enfrentamos na segurança pública do Estado”.
Prisco prosseguiu afirmando que, “também por conta deste grito, os baianos lançam um olhar amoroso sobre a tropa e suas demandas: para o déficit de efetivo, viaturas sucateadas e toda a pressão psicológica que é imposta aos profissionais da segurança pública na Bahia. E é por isso mesmo que ele é merecedor desta homenagem”. O deputado concluiu declinando a “mais sincera gratidão ao soldado Wesley. Você para sempre viverá entre nós”, encerrou.




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