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Jacó propõe a criação de Museu Indígena Kiriri

Publicado em: 29/04/2022 15:41
Editoria: Notícia

Deputado Jacó Lula da Silva (PT)
Foto: AscomALBA/AgênciaALBA
O deputado Jacó Lula da Silva (PT) está propondo a criação do Museu Indígena Kiriri, em Mirandela, Banzaê. Foi com essa perspectiva que ele apresentou indicação ao governador Rui Costa sugerindo a edificação do empreendimento. O parlamentar lembra que a iniciativa acolhe “um pleito relevante desse povo guerreiro, que tem uma história de luta e resistência”.



Os índios Kiriris formavam um grande grupo indígena espalhado pelo interior de vários estados, incluindo Ceará, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e a Bahia. O sistema colonial implantado no país, no entanto, reduziu a presença deles a quatro núcleos: Saco dos Morcegos (atual Terra Kiriri), Canabrava (atual município Ribeira do Pombal), Natuba (atual município de Nova Soure) e Geru (em Sergipe). Estas missões estavam situadas entre as rotas de boiadas do sertão da Bahia, e este movimento boiadeiro contribui significativamente para a dissolução de muitas dessas missões, além de permitir a apropriação indevida de terras originalmente indígenas.



“O cacique Lázaro deixou claro sua postura e decisão em relação à terra indígena Kiriri e pretendeu ‘aviventar’ sua aldeia, seu povo e mudar os rumos de uma história marcada pela exterminação dos índios”, explica o legislador. Segundo ele, foi sob a nova liderança que o povo Kiriri levantou sua bandeira de luta, firmando sua postura em relação à Funai, exigindo a demarcação das terras dos Kiriris.




Jacó argumenta que o centro desta “guerra” iniciada em 1972 foi Mirandela, considerada o coração da aldeia. Sua localização geográfica é bem ao centro da terra indígena Kiriri, por isso as atenções das disputas estavam voltadas a ela. Além disso, Mirandela representa o coração da luta, por ter sido o lugar onde os Kiriris se estabeleceram ainda quando a localidade era a missão jesuíta Saco dos Morcegos.



Embora Jacó aponte a assunção do cacique Lázaro, “uma liderança indígena reconhecida internacionalmente pela luta em defesa dos direitos dos índios e dos direitos humanos”, como o ponto de virada na retomada da comunidade Kiriri, ele reconhece que há divergências que provocaram uma divisão política: de um lado o cacique Lázaro e seu grupo, do outro uma nova liderança, o cacique Manoel Batista. “As diferenças políticas foram ainda mais inflamadas com as influências políticas e religiosas do local”, explica.


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