O aumento do índice de morbimortalidade no trânsito requer das autoridades e instituições providências inadiáveis, tanto no sentido de proporcionar segurança na mobilidade como na redução dos custos no atendimento às vítimas de acidentes.
Essa é a convicção do deputado Tiago Correia (PSDB), que apresentou indicação ao superintendente da Transalvador, Marcos Passos, sugerindo a implantação de faixa exclusiva para motocicletas na Avenida 29 de março, localizada em Salvador.
“A maior parte dos prejuízos refere-se à perda de produção, associada à morte das pessoas ou interrupção de suas atividades, seguido dos custos de cuidados em saúde e os associados aos veículos”, avaliou o deputado, no documento.
No Atlas de Acidentes de Trânsito no Brasil, os pesquisadores Mello Jorge MHP e Koizumi MS compararam os gastos para o tratamento de pacientes internados por causas naturais com os pacientes acidentados no trânsito. Chegaram à conclusão que vítimas de acidente de trânsito são mais onerosas que os demais e apresentam maior taxa de mortalidade hospitalar. No conjunto de dados e informações de estudos recentes, chama atenção o alto índice de morbimortalidade envolvendo motociclistas.
Na região Nordeste a taxa foi de 4,7 óbitos por cem mil habitantes. A Bahia apresentou a maior taxa da região: expressivos 10,7 óbitos por cem mil habitantes. No período que se analisou os dados sobre acidentes com veículos de transporte de passageiros e de cargas constatou-se que os que envolvem motocicletas foram os únicos que não registraram redução.
“Diante dos números, uma realidade se impõe: é imperativa a criação de mecanismos eficazes para garantir a segurança no trânsito, especialmente dos motociclistas, os quais, pelos dados apresentados e pela fragilidade natural do veículo, são mais suscetíveis a acidentes fatais”, disse.
As mortes de ocupantes de motocicleta (motociclistas e passageiros) vêm aumentando desde 2018 e em 2020 tiveram um salto de 24%. Além dos fatores de risco associados aos motociclistas, mais um fator contribuiu para esse aumento nas mortes: o crescimento de 15% na frota de motos registradas, nesse mesmo período. Em 2020, a frota passou a marca de 150 mil, tendo sido licenciadas, no ano, mais motos do que carros, na proporção de seis para cinco.
Motociclistas, pedestres, homens e pessoas de 20 a 49 anos foram as principais vítimas fatais. Em 2020, os ocupantes de motocicleta passaram os pedestres e são agora a categoria com mais mortes (44%), seguidos por pedestres (43%). Homens continuaram sendo as principais vítimas fatais com 83%, enquanto as mulheres representaram 17%. Por faixa etária, 56% tinham idade de 20 a 49 anos. As mortes na faixa de 40 a 49 anos subiram 47%. Já na faixa de 70 anos ou mais, caíram 32%.
“Recentemente, a cidade de São Paulo implantou uma novidade numa das avenidas mais movimentadas para tentar diminuir o número de acidentes”, conta o parlamentar. O projeto “Faixa Azul” foi instalado no dia 25 de janeiro deste ano, na Avenida 23 de Maio, principal ligação entre as zonas Norte e Sul da cidade. A faixa tem 5 quilômetros e meio de extensão.
Apesar da sinalização no asfalto, a motofaixa não é exclusiva e nem obrigatória. Ela fica à esquerda, longe dos acessos à avenida e é estreita, para impedir ultrapassagens. As motos têm que respeitar o mesmo limite de velocidade dos carros, 60 km/h.
“Percebemos, porém, que é necessário fazer algumas considerações importantes: a principal diz respeito ao comportamento de motoristas e logicamente dos motociclistas também, para que a faixa exclusiva dê certo. A educação de ambos ainda vai ser fundamental para o bom convívio e para a diminuição dos acidentes”, diz.
“Um ponto importante é que na Avenida 23 de maio não há travessas e todas as saídas da avenida são à direita. Por este motivo, as autoridades devem ter permitido as motos trafegarem por todas as faixas, por isso é importante sinalizar aos motoristas que as motos continuam trafegando por outras faixas também”, disse.
Para Tiago Correia, como não há tráfego de pedestres por esse corredor de trânsito, este é um complicador a menos. Outro ponto positivo da criação da faixa é que os motociclistas não terão que trafegar sobre a faixa branca e os olhos de gato, como fazem normalmente.
REDES SOCIAIS