A Assembleia Legislativa concedeu nesta sexta-feira (27) o Título de Cidadã Baiana à juíza federal Cynthia de Araújo Lima Lopes. A honraria foi entregue, em sessão especial no Plenário Orlando Spínola, pela filha da magistrada Ana Beatriz e pelo presidente da Casa, deputado Adolfo Menezes (PSD), proponente da sessão, que inciou seu discurso citando Ruy Barbosa: “A liberdade não é um luxo dos tempos de bonança; é, sobretudo, o maior elemento de estabilidade das instituições”. Ele considerou que a frase continua viva, valendo para os tempos de hoje, “de ameaças ao estado democrático de direito”.
O presidente realçou que, quando da homenagem, “as amplas portas democráticas” da Assembleia Legislativa da Bahia estiveram, mais uma vez, “abertas para a sociedade, para o povo”. A concessão do Título de Cidadã à juíza Cynthia Lopes, disse, “corresponde ao registro solene de que a Bahia, há tempos, já a havia acolhido, em seus afetuosos braços, como filha”.
A juíza agradeceu, comovida, a honraria e também abriu seu discurso citando um baiano: João Gilberto e sua canção Eu Vim da Bahia. “Na Bahia, que é meu lugar, tem meu chão, tem meu céu, tem meu mar”, declarou a magistrada, que discorreu sobre as belezas e originalidade da história baiana, seu povo e sua fé.
Natural do Amazonas, Cynthia Lopes chegou à Bahia em 12 de novembro de 1995, quando assumiu, na 5ª Vara da sede da Seção Judiciária da Bahia, o cargo de juíza federal substituta. A partir de então, “a gestação dela como cidadã baiana” foi marcada por ampla contribuição ao desenvolvimento e interiorização da Justiça Federal no Estado, e por sua intensa participação na vida acadêmica baiana, destacou Adolfo Menezes.
Cynthia declarou-se baiana há muito tempo, neta que é de uma conterrânea, e apaixonada pelo Estado. No seu longo e sentimental discurso, ela não só elogiou a Bahia, seus patrimônios material e imaterial, como declinou o orgulho que sente da própria trajetória como magistrada, pugnando por um Judiciário “consciente do dever de defender a democracia”, que “garanta o direito à diferença”. Para ela, o Poder Judiciário “exerce um papel fundamental de transformação social” e “juízes independentes são a maior garantia do cidadão”.
Ela já foi diretora do Foro da Seção Judiciária da Bahia e participou ativamente do conjunto de atos que resultou na instalação de Varas Federais em diversos municípios baianos. “Seu trabalho como magistrada é reconhecido, por tantos quantos a conhecem, como um exemplo a ser seguido”, considerou o presidente do Legislativo baiano, ao destacar a firmeza, a coragem, o conhecimento técnico e, sobretudo, a sensibilidade humana como marcas da atuação da juíza.
Ser magistrada, revelou Cynthia, sempre foi um sonho. Ela dedicou a vida à Justiça para fazer justiça. “Fazer o bem e a diferença na vida das pessoas é um desafio que consome meus dias, mas, ao final, sempre tenho a certeza do dever cumprido”, declarou, adiantando que 27 anos depois ainda guarda “o mesmo brilho nos olhos” do primeiro dia.
DEMOCRACIA
Ao lado da devoção à magistratura, ela também dedicou-se ao magistério jurídico. “Essa nossa amazonense por nascimento e baiana por escolha é corresponsável, ao lado de outros mestres, pela formação de gerações de bacharéis em Direito, como professora da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia”,elogiou Adolfo Menezes, proponente da homenagem, para quem, ao conceder o Título de Cidadã Baiana, a Casa Legislativa exerceu a prerrogativa de reconhecer, em nome do povo baiano, que Cynthia Lopes “é mais um elo – um importante elo – entre Amazonas e Bahia”.
“A partir de hoje estão em harmonia, numa só pessoa, os valores do Amazonas, maior Estado brasileiro em extensão territorial, com os valores da Bahia, o mais tradicional dos estados, onde nasceu o Brasil”, proclamou o presidente, ao declinar que foi com “a mais profunda sensação de baianidade, de liberdade e em nome da democracia”, que a Assembleia Legislativa concedeu à Cynthia Lopes o Título de Cidadã Baiana.
Ela iniciou na magistratura na 5ª Vara Federal da Seção Judiciária da Bahia em novembro de 1995, como juíza federal substituta. Foi promovida e atuou na 4ª Vara Federal do Amazonas, em Manaus, sua cidade natal. Em meados de 2000 retornou a Salvador, já na condição de titular da 19ª Vara, especializada em Execução Fiscal e, em junho de 2004, foi transferida para a 14ª Vara Cível da Seção Judiciária da Bahia, onde se encontra até hoje.
Para ela, ser juíza federal é um ideal, que alimentou durante muito tempo. “Afirmo, com absoluta segurança, que sou imensamente afortunada, pois tive e tenho a chance de realizar este sonho todos os dias e que me esforço, incessantemente, para ser uma juíza que tenta descortinar o justo em todas as decisões, em todos os pronunciamentos, em todas as atitudes, inclusive as adotadas durante as audiências”, disse Cinthya Lopes.
Ela se declarou “feliz e honrada” em receber o Título de Cidadão Baiana, o terceiro proposto em 16 anos pelo deputado Adolfo Menezes, que também declinou sua honra em homenagear a magistrada, desejando a ela e todos os presentes a proteção de Deus.
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