A sessão especial “Valorização dos Yaôs” é promovida pelo mandato do deputado estadual Jacó (PT), que afirma, no requerimento para a realização da atividade, tratar-se de “uma forma de preservar os direitos éticos, morais e a hierarquia no candomblé”, uma vez que yaôs, futuros pais e mães de santo, precisam ser respeitados, bem como "resgatar o respeito à dignidade humana dos iniciados, essenciais para preservação dos valores ancestrais".
O idealizador da sessão, Pai William de Oxalá, 46 anos, do terreiro Ilê Axé Opô Babá Obatalademy, explica que o projeto "Valorização dos Yaôs e Muzenzas" foi criado pelo programa "A Voz do Candomblé", em parceria com 16 terreiros, tem ressonância no Brasil e no exterior, e surge como resposta a um histórico de humilhações e maus tratos sofridos por iniciados, alguns culminando em mortes, dentro dos barracões. “A gente ouve notícias de yaô que passou fome ou deixou de tomar o remédio porque o pai de santo não deixou”, relata. Uma realidade triste que se soma ao momento em que as religiões de matriz africana no Brasil atravessam, de enfrentamentos e intolerância. Não são raros os casos de templos e objetos do candomblé vandalizados, sacerdotes e sacerdotisas desrespeitados. Por outro lado, o pai de santo lembra que a conduta do yaô dentro de uma casa é muito importante para o equilíbrio da instituição: sem respeito, horários, rituais, obrigações, estudos e designação das hierarquias, a prosperidade não vem. “As saudosas Mãe Stella de Oxóssi e Mãe Menininha do Gantois, o saudoso Joãozinho da Gomeia, e muitos outros de renome na Bahia, no Brasil e no mundo, todos foram iaôs. O iaô é como uma criança que está nascendo, o menino que tá estudando pra ser formado, a gente muda o nome e a identidade”, diz o babalorixá. Autoridades religiosas e institucionais, além de coletivos e movimentos sociais, são esperados na sessão especial “Valorização dos Yawos Yaôs Muzenzas”.
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