A Assembleia Legislativa realizou, nesta segunda-feira (6), uma sessão especial em comemoração aos 39 anos da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), que é hoje a maior instituição pública de ensino superior multicampi das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. A grandiosidade da Uneb, seja por seus números relevantes ou pelos avanços em prol da educação popular e inclusiva, foi destacada em pronunciamentos de antigos alunos, jovens estudantes, professores, autoridades, dirigentes e parlamentares que participaram da homenagem.
“No momento crítico que o Brasil atravessa, de forte negacionismo e obscurantismo, homenagear a Uneb é reforçar a importância da ciência, da pesquisa e da universidade pública, que produz conhecimento e forma excelentes profissionais com presença em todas as regiões do estado”, afirmou o deputado Bobô (PCdoB), um dos proponentes da reunião. O comunista destacou que a instituição se encontra presente em 21 territórios de identidade, com 24 campi, 2 campi avançado, 30 departamentos e 7 centros de pesquisa.
O parlamentar lembrou que a Uneb oferece cursos de mestrado e doutorado, promovendo a interiorização da pós-graduação pública, gratuita e de qualidade. Dentre outras atividades, Bobô enfatizou que a universidade proporciona também uma educação inclusiva, com alfabetização e capacitação de jovens e adultos em situação de risco; educação em assentamentos da reforma agrária e em comunidades indígenas e quilombolas, além de projetos de inclusão e valorização voltados para pessoas com deficiência, da terceira idade e LGBT.
A sessão foi uma proposição conjunta com a Câmara Municipal do Salvador, em parceria com o mandato do vereador Augusto Vasconcelos (PCdoB), que estudou Ciências Contábeis na universidade, não se formou por lá, mas que anos depois atua como professor licenciado em uma das unidades. O comunista salientou que esta comemoração é um ato de conteúdo histórico, que vai ficar gravado para a posteridade, para que possa fortalecer este equipamento acadêmico, construído para atender à interiorização do acesso ao ensino superior e da possibilidade de transformar vidas.
“A Uneb está presente na coragem do povo baiano, no povo do semiárido que tem na instituição uma parceira de projetos sociais relevantes, que levam para comunidades distantes pesquisa e ensino, enfim, iniciativas de acolhimento para os povos ribeirinhos e quilombolas”, pontuou o vereador.
NÚMEROS
Os números sobre o desenvolvimento da Uneb ao longo de quase quatro décadas são impressionantes. São mais de 20 mil estudantes, 2.868 professores, 967 técnicos, 147 cursos de graduação, 26 Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu e 172 cursos de graduação na modalidade à distância.
A vice-reitora da Uneb, Dayse Lago, fez questão de lembrar as palavras do idealizador e primeiro reitor da Uneb, o saudoso professor Edivaldo Machado Boaventura, que utilizou pela primeira vez a expressão sistema multicampi em um documento legal. “A Uneb, disse o educador, nasce com a cor da Bahia, comprometida com as suas regiões, com a negritude, com os sertões, com a pobreza, com os problemas da educação, de alimentação e saúde, portanto é democrática na sua estrutura”.
Dayse reafirmou o compromisso de consolidar a instituição como uma universidade gratuita, inclusiva e de qualidade, através do sistema de cotas étnico-raciais, ocorrida a partir de 2002. Ela informou sobre os avanços com a implantação de cursos, a exemplo de Engenharia Agroindustrial, Aquicultura e Teatro, e revelou ainda o crescimento, de maneira exponencial, da universidade graças ao programa de formação EAD (Educação a Distância).
“Em 2021, alcançamos o grau 4 na mais recente classificação do MEC. Esta nota é o ápice do esforço de um trabalho coletivo”, concluiu a vice-reitora, que fez um trocadilho para mostrar o privilegio que sentia por fazer parte daquela instituição: “Uma universidade que faz sentido é aquela que produz sentidos para as pessoas que nela circula”.
Egressa de Barreiras, a reitora da Uneb, Adriana Marmori, lamentou o desmonte anunciado desse espaço da educação que historicamente tem alicerçado o país. “É triste acordar, dia sim, dia não, com manchetes do tipo: “Proposta de PEC para cobrança de mensalidades públicas; Corte de orçamento de 14 bilhões da Educação Superior; Nomeação de reitores como interventores”, explicou a professora.
Para a reitora, a Uneb completou 39 anos de existência com ampliação de cursos, construções arquitetônicas, mudanças de procedimentos institucionais e ainda muito trabalho por fazer. “Precisamos investir nas pessoas, em seus processos formativos, em acolhimento e trocas de saberes, em compartilhamento de ideias que venham colaborar para a construção da universidade que queremos nesse cenário sociopolítico e educacional, o qual estamos inseridos”, pontuou.
Adriana Marmori foi bastante contundente ao refletir sobre as posturas de valorização da educação e os gastos com o setor. “Não se faz educação com migalhas, nem na educação básica, tampouco no ensino superior. São as instituições de ensino que têm assegurado os processos formativos, o desenvolvimento da ciência e da cultura, a inovação tecnológica e a extensão universitária, merecendo o reconhecimento de todos”, finalizou.
Representando o governador Rui Costa, o secretário Estadual da Educação, Danilo de Melo Souza, apresentou dados sobre investimentos no ensino superior. Ele disse que, de 2015 pra cá, o Governo do Estado vem aportando recursos anualmente para as quatro universidades estaduais, procurando construir políticas que garantam o acesso e a permanência da juventude nas universidades.
O gestor da Educação festejou a data dedicada à Uneb, “que está cada vez mais feminina, mais inclusiva, que sempre precisa ressaltar a claridade do valor da mulher, não pelo aspecto estético, mas pelo aspecto político, construindo uma sociedade verdadeiramente moderna”.
O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA), Inaldo Araújo, fez uma saudação especial para antigos servidores, mestres do passado, como o professor Edivaldo, e amigos da universidade, onde foi um dos primeiros alunos e atualmente é professor há 22 anos. Inaldo convidou os parlamentares e autoridades para que pudessem visitar as unidades, para verem o que o nosso corpo docente padece para fazer bem educação. “Nós passamos, o que não passa são instituições fortes, necessárias, independentes, autônomas, como a nossa universidade, com sua educação que transforma”, acrescentou o conselheiro.
Erica Macêdo, diretora do Departamento de Ciências Exatas no Campus de Alagoinhas e também representante do Fórum de Diretores da Uneb, disse que a instituição nasceu para ser uma universidade pública e popular, com a previsão inicial de que era necessário fomentar a educação para o interior, com o intuito de formar professores.
Aline Gomes, diretora de Comunicação do Diretório Central de Estudantes da Uneb é aluna do curso de Direito na unidade de Camaçari. Na sua fala, criticou o governo federal que, segundo ela, vem promovendo a destruição do ensino superior nos últimos cinco anos. Aline defendeu a ampliação das cotas sociais para outros povos tradicionais e enalteceu a luta pela democratização do acesso à universidade pública, por meio do tripé pesquisa, ensino e extensão.
A deputada federal Lídice da Mata (PSB) informou que, na semana passada, na Câmara dos Deputados, em Brasília, registrou a passagem do aniversário de 39 anos da instituição. A socialista garantiu que há muitos anos destina, em suas emendas no Congresso, recursos para investimentos nas universidades baianas.
Por fim, o deputado Bobô agradeceu a participação de todos e reafirmou o apoio para que a universidade possa seguir nessa brilhante missão da educação, aliando excelência acadêmica ao seu papel social. “Me honra muito ser proponente desta homenagem, ao lado do vereador Augusto. Parabenizo seus diretores, professores, alunos e servidores, todos que constroem esse importante patrimônio da Bahia. Parabéns, Uneb! Você é gigante, é do tamanho do nosso povo”, encerrou o comunista.
Além dos citados, compuseram a mesa da reunião o tenente-coronel Mário Gustavo, da 6ª Região M\ilitar do Exército, e o major da Polícia Militar da Bahia, Paulo Cesar Nunes.
REDES SOCIAIS