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ALBA decreta luto pela morte do poeta e ex-deputado Adelmo Oliveira

Publicado em: 07/06/2022 19:39
Editoria: Notícia

Adelmo Oliveira exerceu seu mandato no Parlamento baiano pelo MDB de 1979 a 1983.
Foto: AscomALBA/AgênciaALBA
O presidente em exercício da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), deputado Paulo Rangel Lula da Silva, decretou luto oficial de três dias pelo falecimento do ex-deputado estadual Adelmo José de Oliveira, aos 88 anos, na manhã desta terça-feira (7). Advogado e poeta, ele exerceu seu mandato no Parlamento baiano pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de 1979 a 1983.


Natural de Itabuna, fez seus primeiros estudos no ginásio Augusto Galvão, na cidade de Campo Formoso, onde, em 1951, fundou um jornal, de vida efêmera, tendo nele publicado seus primeiros trabalhos. O gosto pela palavra o acompanhou desde sempre, tendo publicado seu primeiro livro de poemas, “O Canto da Hora Indefinida”, em 1960, com capa, em xilogravura, de Calasans Neto.



Começou, então, a publicar ensaios, poemas, artigos nos suplementos literários do Jornal da Bahia e Diário de Notícias, além de chefiar os escritórios dos jornais Movimento e Em Tempo, em Salvador. Em 1962, sob um júri formado por nomes de expressão da literatura brasileira, como Manuel Bandeira, Austregésilo de Athayde, José Carlos Lisboa e Pio de Los Casares, ganha o 1º lugar no Prêmio Nacional Luis de Góngora, com o ensaio “Góngora e o Sofrimento da Linguagem”.



Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) no ano de 1966, Adelmo Oliveira teve uma participação expressiva na luta contra a ditadura militar de 1964, sendo preso por duas ocasiões e tendo sofrido tortura em interrogatórios por agentes do Estado. Como advogado, defendeu muitas ocupações de terras na capital baiana, assegurando o direito de morar de centenas de milhares de pessoas. Em 1978, foi eleito deputado estadual, quando declarou que “tanto a política quanto a poesia são artes de criação a serviço da liberdade plena”.



Sobre sua participação no movimento de renovação cultural da época, disse que entendia “a arte não como uma cópia pura e simples da realidade”, mas que “deve dinamicamente a sua própria dimensão, pondo, em denúncia, a submissão, a opressão e a ausência de liberdade”. 
Em 2017, o Programa ALBA Cultural lançou seu livro “Poemas Escolhidos”, uma coletânea com poemas antigos de outros livros do autor e também com poesias inéditas – algumas em homenagens a companheiros de penas ou de ideais, como Vinicius de Moraes, Joehva de Carvalho, Florisvaldo Mattos, Carlos Lamarca, Francisco Pinto, Oldack Miranda, entre outros.



Fundador do MDB, no Parlamento baiano Adelmo Oliveira foi 3º vice-presidente da Mesa Diretora (1979-1981); titular das comissões de Constituição e Justiça (1981-1982), Turismo e Empreendimentos Sociais (1980); e suplente das comissões de Desenvolvimento, Econômico, Social e Urbano (1981-1982), Turismo e Empreendimentos Sociais (1981-1982). Antes, ocupou cargos na Prefeitura do Salvador, como a Diretoria de Terras da Companhia de Renovação Urbana de Salvador (Renurb) e chefia da Associação Jurídica da Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom).


Soneto da Morte Fingida
(Adelmo Oliveira)

Aqui, perto de mim, na minha vida
Meus olhos ficam cheios de poesia
— A estrela se debruça na janela
E a lua troca a noite pelo dia

Aqui, perto de mim, na minha vida
Corre um vento de mar com melodia
— Risco do mar antigas caravelas
E a espuma se contorce em fantasia

Aqui, perto de mim, na minha vida
Existe um cais. E, junto ao cais, um porto
E neste porto existe a despedida

Levanto os ferros. A sirene apita
Um corpo bate na água e, então, gravita
Aqui, dentro de mim, na minha vida



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