O bicentenário da Independência de Cachoeira, comemorado no último dia 25, foi lembrado na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) pela deputada Fabíola Mansur (PSB). Em moção de aplausos, a socialista lembrou que a data coincide com o início das batalhas pela Independência da Bahia e com os 50 anos do primeiro São João de rua com participação popular em Cachoeira.
No documento legislativo, Mansur contou a história da cidade que, ainda na condição de Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira, viveu o apogeu político e econômico entre a metade do Século XVII e final do Século XVIII. Durante esse período, a vila era a mais rica, próspera e populosa da Bahia, graças à indústria açucareira; ao plantio do fumo e à atividade portuária, seus grandes vetores de desenvolvimento econômico.
O município ganhou notoriedade ao se destacar na luta pela Independência da Bahia e do Brasil. No dia 25 de junho de 1822, Cachoeira se declarou território livre de Portugal, instalando uma junta provisória que governou a Bahia por aproximadamente 16 meses. Após aclamarem em praça pública o príncipe Dom Pedro de Alcântara como regente e defensor perpétuo do Brasil, vereadores, autoridades, comerciantes, proprietários de terras e populares lotavam a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, onde se celebrava um Te Deum em ação de graças, quando o primeiro tiro de canhão retumbou, atingindo uma casa, revoltando a população, que entrou em confronto armado com os portugueses vencendo a batalha. Esta vitória foi fundamental para a consolidação da Independência da Bahia, que ocorreu finalmente em 2 de julho de 1823.
Fabíola Mansur prosseguiu contando a história da independência e relatando que, fundeada em frente ao porto de Cachoeira, uma escuna militar passou a disparar seus canhões contra a vila. Um velho canhão, que servia de adorno a uma das praças, foi levado até a margem do rio, de onde se dispararam improvisados e pouco efetivos projéteis contra a escuna. Munidos de espingardas de caça, os brasileiros tentavam revidar o ataque dos portugueses.
“O canhonaço durou três dias”, informou a deputada, adiantando que o combate ganhou ares de batalha importante e se transformou no marco inicial das lutas pela Independência da Bahia, que duraram um ano e cinco meses, mobilizaram mais de 16 mil pessoas só no lado brasileiro, e deixaram centenas de mortos.
Na madrugada do dia 2 de julho de 1823, os portugueses, após sucessivas derrotas e impossibilitados de se abastecerem de armamento e alimentos, abandonaram Salvador. Horas depois, o Exército Libertador entrou na capital. “O 2 de Julho tornou-se a data magna da Bahia”, considerou a socialista, ao recordar que todos os anos “milhares de baianos” refazem, em cortejo animado por bandas e fanfarras, o percurso entre a Lapinha e o Largo do Pelourinho, revivendo a entrada dos combatentes libertadores na Cidade do Salvador.
Ela também registrou que, em 2007, o então governador Jaques Wagner sancionou a Lei Estadual nº 10.695/07 que determina a transferência do governo para Cachoeira no dia 25 de junho, devolvendo à cidade o título de capital do Estado por 24 horas. Fabíola terminou a moção saudando o bicentenário da Independência de Cachoeira, “onde tudo começou”.
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