“A nossa história não começou em 1988. Esse chão, tão fértil, manchado de sangue indígena, antes de ser Brasil, era aldeia”. Essa frase é do discurso de Aléssia Pamela Bertuleza Santos, uma das três oradoras da turma empossada na carreira de defensora pública no estado da Bahia, na segunda-feira (20). Esse fato histórico repercutiu na Assembleia Legislativa, onde o deputado Bira Corôa (PT) apresentou moção de aplausos à primeira indígena a alcançar aquela função pública. No mesmo pronunciamento, ela destacou que é a primeira, “mas logo não serei a única”.
“Sua história serve como um grande exemplo para tantos, diante do exposto, e em respeito à grande trajetória de luta e conquista da companheira Aléssia, valho-me do mandato que me foi outorgado para fazer a presente moção”, disse.
Aléssia é natural da cidade de Glória e faz parte da comunidade Tuxá, situada no município de Rodelas. A primeira da família a ter nível superior e a primeira cotista indígena a se formar no curso de Direito da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Depois da faculdade, ela cursou mestrado em Direito Público, na Universidade Federal da Bahia (Ufba), e foi professora de direito internacional e direito tributário no Centro Universitário do Rio São Francisco.
O desejo de seguir carreira no Direito nasceu a partir das histórias que ouvia de parentes sobre as situações que sua comunidade passou durante a construção da Barragem de Itaparica, administrada pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), na década de 1990. “Eles viviam falando sobre o processo contra a empresa, mas eu não entendia o que acontecia. Quando eu cresci, percebi que eles também não entendiam e isso prejudicou meu povo. Por isso, eu quis entender como aquilo funcionava para saber lidar com os próximos casos”, lembrou.
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