O deputado Jacó (PT) vai homenagear o educador, religioso e ex-deputado federal Celso Loula Dourado, 88 anos, com a Comenda 2 de julho, a mais alta honraria concedida pela Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). A medalha, será entregue em sessão especial no dia 11 de agosto, às 10h.
Em projeto de resolução apresentado na ALBA, Jacó resgatou a trajetória de Celso Dourado. O petista lembrou, por exemplo, que durante a ditadura militar, o homenageado, com frequência, recebia em sua residência inúmeros perseguidos políticos.
“Na capital do nosso Estado, ele teve forte e efetiva militância política, alicerçada na fé cristã, participando de diversos comitês e agremiações destinadas à defesa da redemocratização do nosso país”, pontuou Jacó. “Assim, se engajou na luta pela anistia dos exilados e libertação dos presos e perseguidos políticos”, acrescentou ele.
Celso Loula Dourado nasceu no dia 10 de agosto de 1931, em Irecê, na localidade conhecida como Fazenda Canal, atualmente município de João Dourado.
Aos 13 anos, ante as adversidades para seguir sua formação escolar e vocação religiosa, precisou migrar para São Paulo.Sozinho, distante dos familiares, permaneceu em são Paulo durante 12 anos, onde estudou e trabalhou para o seu próprio sustento desde muito cedo. No Educandário José Manoel da Conceição (SP), e mais tarde nos Seminários Presbiterianos de Campinas (SP) e no de Princeton (EUA) fortaleceu e solidificou seu compromisso com a educação e a fé cristã.
“Após desenvolver vasta e intensa atividades laborais e profissionais no sertão baiano, chegou a Salvador em janeiro de 1968”, contou o Jacó, na justificativa da proposição.
Antes, acrescentou o deputado, Celso Dourado havia desenvolvido diversas atividades, entre elas as de educador, professor e diretor do Colégio Augusto Galvão em Campo Formoso (BA), pastor e líder religioso da Igreja Presbiteriana do Brasil, assim como, as de agricultor e produtor rural. Também, em Campo Formoso, elegeu-se vereador pelo antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)
Na capital baiana, segundo Jacó, destacou-se a frente do tradicional Colégio 2 de Julho, “reconhecido como um singular educador que marcou a vida e a formação de muitos pela grande capacidade com que exercia suas funções, voltadas a despertar e desenvolver as vocações e potenciais dos alunos, professores e funcionários”.
Também ajudou muitos perseguidos políticos durante a ditadura militar, dentre eles o líder católico, conhecido como Jorge Carola, e o deputado cassado Paulo Wright, presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil. “Essa atuação foi exercida, muitas vezes, em conjunto com outras lideranças religiosas, em especial, ao lado de Dom Timóteo Amoroso e demais sacerdotes do Mosteiro de São Bento”, afirmou Jacó.
Segundo o autor do projeto, Celso Dourado, como diretor do Colégio 2 de Julho, apesar das fortes ameaças durante o regime militar, abriu as portas da instituição para a realização das comemorações do 1º de maio, Dia do Trabalhador, e do Congresso Nacional da Anistia em 1979, ocasião na qual, para muitos, foi a primeira oportunidade para se manifestar em público após a volta do exílio.
Após o fim do regime ditatorial, foi eleito deputado federal em 1986, tendo destacada atuação na Assembleia Nacional Constituinte.
Após o exercício deste mandato parlamentar, retomou suas atividades em Salvador, e, depois de alguns anos, regressou à sua terra natal, assumindo, durante um período, o cargo de secretário municipal da educação em Irecê. Aos 88 anos, segundo Jacó, continua em plena atividade.
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