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Assembleia presta homenagem ao professor e teólogo Antônio Albertino Carneiro

Publicado em: 11/08/2022 20:18
Editoria: Notícia

A Comenda 2 de Julho, mais alta honraria da Assembleia Legislativa, honrou a trajetória do padre, ativista político, filósofo e advogado
Foto: CarlosAmilton/AgênciaALBA
“A felicidade não cabe no nosso coração. Homenagear o professor e teólogo Antônio Albertino Carneiro é falar de uma pessoa constantemente inquieta pela justiça e vida digna para todos. Essa inquietude marca sua existência e nunca a abandonou”. Com estas palavras iniciais, a deputada Fátima Nunes (PT) saudou o padre, ativista político, filósofo e advogado que recebeu, nesta quinta-feira (11), a Comenda 2 de Julho, a mais alta honraria da Assembleia Legislativa da Bahia. Proponente da sessão especial, a petista destacou a história de luta do homem que nasceu em Riachão de Jacuípe, em 5 de setembro de 1934, e foi o criador do Movimento de Organização Comunitária (MOC), instituição de 55 anos, responsável por muitas ações em prol da melhoria da qualidade de vida do povo do semiárido baiano.



A presidente da Comissão Especial da Promoção da Igualdade da ALBA lembrou que Albertino Carneiro, na época em que foi secretário-executivo do MOC, lutou pela isenção do ICMS, na comercialização dos produtos cultivados pelos agricultores rurais, para fomentar a venda nas feiras livres. Como sacerdote, foi fundador e primeiro pároco da Igreja do Cruzeiro, em Feira de Santana. Na maior cidade do interior do |Estado, já como sindicalista, presidiu por dois mandatos o Partido dos Trabalhadores. A parlamentar também enalteceu a atuação do professor Albertino Carneiro na região da Barragem de Pedra do Cavalo, para garantir às famílias indenização justa e moradia, além de frisar a experiência do bacharel em Direito na Prefeitura Municipal, onde criou o Planolar, programa voltado para a construção de moradia popular em comunidades periféricas.



“As ações e estratégias de Albertino na busca da justiça são muitas, mas o que marca todo este caminho são virtudes e posturas muito necessárias atualmente. Persistência e teimosia, desistir não foi verbo conjugado por ele. Criatividade, equidade, coragem, doação constante de si em favor dos excluídos. O sertão da Bahia, o MOC, Feira de Santana, lutamos e conquistamos dias melhores. Celebrar essas conquistas é agradecer a Albertino, é nos comprometer a mudar a realidade cruel de fome e exclusão que vivemos hoje”, declarou a deputada Fátima Nunes.

HUMILDADE

Perto de completar 88 anos, o professor e ativista comunitário ficou bastante emocionado ao ser agraciado com a medalha, que foi entregue, com o Plenário Orlando Spínola lotado de amigos, parentes e dirigentes de movimentos sociais, pelas mãos da esposa, Antônia Silva Carneiro, dos filhos Isabel e Luís Ângelo, do neto Guilherme e das irmãs Francisca e Marivânia. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Feira de Santana, Maria da Conceição Borges, exaltou a importância do professor que - segundo a dirigente - ensinou cantando, ensinou exigindo, ensinou dizendo que “não existia cristão, se não fosse cidadão”. Conceição recordou o incentivo que ele sempre deu para a organização e participação da mulher na vida política e disse que aprendeu com o militante sobre seca e agricultura familiar. Ela citou uma expressão de Albertino, resumindo o perfil do professor: “Nós nunca podemos aceitar produzir o pão e comer o pão que o diabo amassou”.

De pé, o filho de dona Isabel Luiza de Oliveira e Lino Carneiro de Oliveira, que foi alfabetizado aos 12 anos, agradeceu à deputada Fátima Nunes e à Casa Legislativa pela concessão da honraria. Albertino Carneiro falou pouco mais de três minutos, mas falou com a humildade de quem por longas décadas qualificou o sindicalismo rural, promoveu a economia solidária, trabalhou pela construção de políticas públicas e buscou refletir a vida e a realidade do campo à luz do Evangelho de Cristo. “Muitas coisas que disseram aqui de mim foram verdades. Outras, generosidade. Quero dizer que ninguém faz nada sozinho. Toda essa homenagem deve ser repartida com meus pais, irmãos e amigos, que - junto comigo- fizeram essas coisas acontecerem”, afirmou. O veterano professor e ativista se mostrou antenado com a situação em que vive o Brasil nos últimos anos. “A história é mais forte do que a gente, e mais perigosa também. Eu passei um período muito difícil na ditadura, mas agora eu tenho outras preocupações que não nos alentam tanto. É preciso coragem. Só vocês estarem aqui, me alegra, me fortalece. E eu fico pensando: se vocês não estão usando muita manteiga pra um pão de tostão”, concluiu seu breve pronunciamento, sendo aplaudido entusiasticamente pelos presentes.

Participaram da reunião os deputados estaduais Osni Cardoso, Robinson Almeida, Marcelino Galo e Junior Muniz e o deputado federal Josias Gomes, todos do PT. Compuseram a mesa o padre Hipólito Gramosa, representando o arcebispo da Arquidiocese de Feira de Santana, dom Zanoni Castro; Naidison Baptista, representando a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA); Urbano Carvalho, coordenador geral da Fundação de Apoio à Agricultura Familiar do Semiárido da Bahia (Fatres); Eliana Rolemberg, da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese); Wilson Dias, diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR); e Jeandro Ribeiro, secretário estadual de Desenvolvimento Rural (SDR).





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