A Assembleia Legislativa entrega nesta quinta-feira (30), em sessão especial no plenário, o Título de Cidadão Baiano ao engenheiro e navegador Aleixo Belov. “Ele é importante para nosso Estado, uma pessoa que nasceu na Ucrânia, chegou a Salvador com apenas seis anos, se radicou em nossa terra, tem aqui seus investimentos como empresário, deu cinco voltas ao mundo em viagens, então é merecida essa honraria, para que ele represente cada vez mais e melhor a Bahia”, justificou o deputado Antonio Henrique Jr, proponente da homenagem.
O parlamentar informa que, nascido em Merefa, no interior da Ucrânia, antigo território da União Soviética, em janeiro de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, Aleixo Belov deixou sua terra natal aos sete meses de idade nos braços de seus pais, Dimitri e Zinaida, juntamente com sua irmã Olga. Depois do período pós-guerra, a família do navegador saiu da Europa e chegou ao Brasil em 1949, sentindo-se acolhida em Salvador. Aleixo Belov formou-se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, tornou-se professor da Cadeira de Portos e criou sua empresa de Engenharia Portuária, Mergulho e Serviços Offshore. Com seu perfil inovador, desenvolveu uma técnica para fazer concreto submerso com a mesma qualidade com que se faz em terra, sempre perseguiu seus sonhos e, a bordo de veleiros que ele mesmo construiu, viajou por todos os continentes do planeta.
EXPOSIÇÃO
A trajetória de Belov e suas diversas aventuras “em mares dantes navegados” pode ser vista em uma exposição fotográfica que está no Saguão do Espaço Cultural Josaphat Marinho. Tudo começou em 1980, quando ele realizou a primeira volta ao mundo, a bordo do Três Marias, uma embarcação feita no quintal da casa, no bairro da Baixa de Quintas. Com a intenção de rever parentes e amigos da Ucrânia, Belov deu a segunda volta ao mundo de 1986 a 1987. Na terceira volta ao mundo, entre 2000 e 2002, Aleixo decidiu levar os filhos para conhecer os lugares que ele mais gostou em duas décadas de passeio por oceanos de calmarias e tempestades. Após descansar por um tempo, o engenheiro resolveu construir, no distrito de Mapele, município de Simões Filho, uma nova embarcação, o Veleiro Fraternidade, para realizar, no período de 2010 a 2011, a quarta volta ao mundo. Uma nova aventura, a quinta volta ao mundo, aconteceu entre 2016 e 2018, em uma viagem ao Alaska. Aleixo Belov também já navegou em 2013 pelas águas geladas da Antártica, para experimentar a eficiência do casco de aço do veleiro, e chegou à Bahia em novembro passado depois de uma viagem à Travessia da Passagem Noroeste, no Estreito de Bering, um trecho entre a Ásia e a América.
Formada em Museologia pela Ufba, Etiennette Bosetto nasceu na Suíça, sendo responsável pela Museu Mar Aleixo Belov, que tem sede no Santo Antônio Além do Carmo, tradicional bairro do Centro Histórico de Salvador. Ela diz que cuidar do legado de Aleixo Belov é uma experiência fantástica. “Ele tinha tanta proximidade com o mar que, através do olhar, eu passei a me apaixonar, tanto pelo mar quanto pela navegação. É um outro mundo que eu passei a conhecer pela história de Aleixo Belov”, salientou a museóloga. Para Etiennette, o título de cidadão baiano é o reconhecimento para uma pessoa que sempre se sentiu abraçado por Salvador e que todas essas aventuras e realizações são uma maneira de retribuir esse carinho da Bahia. “Belov carrega a bandeira do Brasil, fala da Bahia, leva o amor por Salvador por todos os lugares onde passa. Ele tem esse espírito de professor, quer que as pessoas aprendam com tudo isso que ele realizou ao longo da vida”, finalizou.
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