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Meio Ambiente ouviu mineradora

Publicado em: 17/04/2008 00:00
Editoria: Diário Oficial

Comissão de Meio Ambiente ouviu mineradora sobre projeto de explorar ferro em Caetité
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Comissão conheceu projeto de exploração do ferro em Caetité
A sessão da Comissão de Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos, presidida pelo deputado Nelson Leal (PSL), ouviu ontem representantes da BML (Bahia Mineração Ltda) que fizeram uma apresentação sobre o projeto Pedra de Ferro, que prevê investimentos de US$ 2,5 bilhões para a extração de minério de ferro na região de Caetité. Foram convidados, também, o vice-presidente executivo da empresa, Clóvis Torres, o gerente geral de Relacionamento e Desenvolvimento Sustentável, Ralph Chelotti, e o coordenador de Meio Ambiente, Albano Soares.
Nelson Leal fez questão de afirmar que os representantes da empresa estavam na comissão como convidados e que não havia nenhuma denúncia contra o empreendimento. Ele disse que o interesse dos parlamentares se deve à envergadura do investimento previsto no projeto. "A preservação do meio ambiente tem que ser uma preocupação permanente. Ações realizadas há 20, 30 anos repercutem negativamente hoje, causando problemas em todo o planeta", afirmou.

MODERNA

O projeto Pedra de Ferro pretende instalar na Bahia uma das mais modernas mineradoras de ferro do mundo. Até o ano de 2011, em Caetité, será instalado um complexo composto de sistema de captação e suprimento de água, mina, unidade de concentração de minério, mineroduto de 430 km ligando o município até a costa norte de Ilhéus e um terminal portuário privativo de embarque.
O mineroduto para transportar a produção sairá de Caetité e passará por 18 municípios até chegar em Ilhéus. Em Ponta da Tulha, norte de Ilhéus, haverá uma estrutura portuária para exportar o minério, com um pier distante, aproximadamente, 2,5 km da costa e dois berços de atracação, com capacidade de embarcar até 70 mil toneladas de minério de ferro por dia.
Segundo Clóvis Torres, as reservas foram descobertas em 2004 e o alto investimento no projeto só é possível pelo alto valor do minério de ferro no mercado internacional. Ele afirmou que projetos de mineração sempre têm um componente agressivo em relação ao meio ambiente, mas as novas metodologias de extração e transporte minoram esses efeitos e depois podem ser feitos processos compensatórios para recompor o dano ambiental. Ele afirmou que o empreendimento levará a Bahia ao posto de terceiro maior produtor de ferro do país, ao lado de Carajás, no Pará, e do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais.

EMPREGOS

Ralph Chelotti informou que o projeto pretende treinar cerca de seis mil pessoas dos municípios que estão no entorno do empreendimento, em convênio com o Sesi, Senai e Sebrae. A expectativa é de que com o treinamento (para formar um pedreiro especializado é necessário um curso de 280h) cerca de 60% da mão-de-obra que trabalhará no projeto seja local. "Há falta de trabalhadores qualificados em todo o país e essa é uma oportunidade grande para quem mora no entorno do projeto, principalmente dos municípios de Caetité e Ilhéus. O desenvolvimento sustentável da região dá ao município a oportunidade de ter um crescimento paralelo ao do empreendimento", afirmou.
O deputado Arthur Maia (PMDB) disse que conhece o projeto e que o apóia, ressaltando que no passado grandes empresas se instalaram no estado com pouca participação dos baianos. Ele lembrou que só o porto previsto no projeto da BML tem capacidade de embarque de 25 milhões de toneladas, enquanto a capacidade de todos os portos em funcionamento hoje na Bahia é de 18 milhões de toneladas. "Essa jazida é uma dádiva de Deus. O estado precisa produzir riqueza para poder distribuir para a sociedade", afirmou.
Já o deputado Paulo Câmera (PTB) afirmou que a presença dos dirigentes da empresa sinaliza que a Comissão de Meio Ambiente da AL passa a ter um papel relevante na construção de políticas ambientais do Estado. Ele afirmou que, no passado, a comissão tinha um posicionamento distante da realidade e que a Bahia sofreu danos terríveis causados pela inoperância do Estado.
Já o deputado Luís Augusto (PP) afirmou que a região de Caetité precisa do desenvolvimento que será gerado pela chegada da mineradora e que a Comissão de Meio Ambiente precisa tomar cuidado com o que ele chamou de "denuncismo". "Temos que tomar cuidado com os exageros. Tenho certeza de que a empresa vai cumprir o que a legislação definir como necessário", completou.
Participaram também da sessão os deputados Isaac Cunha (PT) e Fátima Nunes (PT).



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