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ALBA concede Comenda 2 de Julho à pesquisadora Anna Luísa Beserra

Publicado em: 04/09/2025 18:15
Editoria: Notícia

Sessão foi marcada pelo reconhecimento ao impacto social alcançado pela Aqualuz, tecnologia que trata água usando apenas a luz solar, desenvolvida pela ativista
Foto: CarlosAmilton/AgênciaALBA
A pesquisadora Anna Luísa Beserra Santos, de 27 anos, é a mais nova comendadora do Estado da Bahia. Em sessão especial realizada no plenário Orlando Spínola, na tarde desta quinta-feira (4), a jovem cientista e empreendedora ambiental recebeu na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) a Comenda 2 de Julho, maior honraria concedida pelo Parlamento estadual. Proposta pelo deputado Antonio Henrique Júnior (PP), a homenagem se deu em reconhecimento ao impacto social alcançado pela Aqualuz, tecnologia que trata água usando apenas a luz solar, desenvolvida pela ativista.

A cerimônia foi presidida pelo deputado Robinson Almeida (PT), substituto do proponente, que não pode participar da sessão em virtude de uma agenda com o governador do Estado. Em pronunciamento do púlpito, o petista leu o discurso do colega, por meio do qual ressaltou que a concessão da honraria foi a forma encontrada pela ALBA de reconhecer o espírito de luta, a genialidade e a força da homenageada. Ele comparou a luta histórica pela Independência da Bahia com as batalhas contemporâneas pela água, saúde e inovação social, em que Anna se destaca. O parlamentar celebrou a trajetória da jovem, desde seus 15 anos, quando demonstrou um forte senso científico e empatia ao criar o Aqualuz, uma tecnologia inovadora e sustentável que utiliza a luz solar para purificar água, levando saúde e dignidade a milhares de famílias.

“A homenagem reconhece a força da mulher na ciência, o potencial da educação pública e a esperança de um futuro onde a inteligência baiana sirva à vida. Hoje, a luta é também pela água, pela saúde, pela ciência, pela inovação social. E nossa homenageada é uma verdadeira heroína dessa nova geração de batalhas”, frisou.

Enrolada com uma bandeira da Bahia, Anna Beserra adentrou o plenário da ALBA acompanhada da equipe do cerimonial da Casa, e foi recebida com aplausos. Da tribuna de honra, a homenageada iniciou o discurso enfatizando a importância da coragem e da luta pela liberdade e informou que se inspira em figuras históricas, como Maria Felipa e Joana Angélica, para reforçar seu compromisso com a sociedade e a democratização do acesso à água potável. Além disso, Beserra ressaltou que a Aqualuz, apesar de seu alcance e reconhecimento, ainda não atingiu todas as casas do povo, e lançou um questionamento desconcertante sobre as barreiras estruturais que impedem a sua disseminação em larga escala. Para a cientista, a revolução contemporânea acontece na jornada de superação a obstáculos como a burocracia, o ceticismo e o preconceito, e fez um convite à Assembleia para unir esforços na busca pela independência. “A água não é favor, a água não é do próprio, a água é eternidade. Este poderoso chamado reflete a crença de que o acesso à água é um direito fundamental, uma questão de dignidade humana”, afirmou.

A entrega da Comenda 2 de Julho foi feita pelo esposo da homenageada, Lucas Ayres, e sua filha, Luna, em nome do Poder Legislativo baiano. A convite do presidente da sessão, Ayres foi à tribuna, de onde enalteceu o orgulho e a honra de vê-la receber a honra. Ele relembrou o início da jornada de Anna Beserra, quando tudo não passava de um sonho na universidade. O cônjuge testemunhou as noites perdidas e a superação dos obstáculos da mulher. “Eu te vi transformar uma ideia em uma solução que hoje se elevou à dignidade de dezenas de milhares de pessoas”, declarou.

Wellington Pacífico, presidente do Instituto Mãe Bernadete, compartilhou sua experiência como membro de uma comunidade tradicional que teve a carência de água potável reduzida pela Aqualuz. Ele ressaltou a genialidade e eficácia da tecnologia que, ao tratar a água, tem salvado vidas e promovido dignidade. Wellington Pacífico destacou a redução drástica de doenças como amebíase em sua comunidade desde a implementação da Aqualuz, passando de 58% para apenas 12% dos casos. “Trazer água tratada, é questão de dignidade. Isso aqui não é só um experimento científico. Isso aqui é política pública, gente. É levar dignidade para quem não tem”, salientou.

Representando a Fundação Luís Eduardo Magalhães, a diretora técnica Maria Carla Lopes exaltou a parceria estabelecida com a Aqualuz e ressaltou a importância de projetos que cuidam das pessoas, citando o trabalho em conjunto na revitalização de cisternas no Estado. Maria Carla explicou que, apesar das mais de 1,4 milhão de cisternas implantadas na Bahia, elas sofrem deterioração com o tempo, afetando a qualidade da água consumida. O projeto da fundação, em parceria com a tecnologia de Anna, tem como objetivo garantir a qualidade do armazenamento da água, oferecendo uma solução prática, viável e econômica para a população. “Ana, hoje é uma grande parceira da fundação no projeto de revitalização das cisternas”, afirmou.
A 2ª etapa do Programa Mais Água Boa instalará 40 Unidades do Sistema Integrado de Tratamento de Água de Chuva em cisternas de placas no semiárido baiano. O sistema inclui o Aqualuz, um equipamento inovador que utiliza o princípio Sodis (desinfecção solar) para eliminar patógenos da água armazenada, dispensando o uso de químicos e energia. A Aqualuz representa a etapa final do tratamento, garantindo o acesso à água potável e segura para as comunidades beneficiadas.

Além dos mencionados, compuseram a mesa de honra a assessora da Coordenação Geral de Políticas de Juventude da Secretaria de Relações Institucionais (Serin), Jéssica Ferreira, representando o Governo do Estado; o coronel Costa Neto, que no evento representou o comandante da 6ª Região Militar do Estado da Bahia, general de divisão André Luiz Aguiar Ribeiro; o chefe de gabinete do deputado Antonio Henrique Júnior, coronel Rivaldo; e a gerente estratégica da Associação dos Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI Brasil), Anna Bianchi.

BIOGRAFIA

Anna Luísa Beserra Santos começou sua trajetória aos 15 anos quando, após ler o romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos, decidiu transformar ciência em impacto social. Incentivada pela avó professora e pelos pais, fundou a SDW aos 17 anos e criou o Aqualuz, tecnologia que trata água usando apenas a luz do sol, reconhecida mundialmente.

A CEO da Sustainable Development & Water for All (SDW for all), um sistema de filtragem para desinfectar a água da chuva coletada a partir de cisternas. Ela recebeu o prêmio "Jovens Campeões da Terra" do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente em 2019, sendo até agora a única brasileira a receber o prêmio. A Shell Company concedeu-lhe um prêmio no seu programa LiveWIRE, na categoria "Prosperidade local" pelo seu trabalho na SDW. Anna Luísa também é Fellow da organização internacional Young Water Solutions.



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