Combater a violência contra a mulher não pode se restringir apenas à punição do agressor. É preciso também assegurar a mudança do comportamento masculino, que na sociedade brasileira está calcado numa visão patriarcal, que dá espaço para o machismo. É com essa convicção que o deputado Eliedson Ferreira (DEM) apresentou, na Assembleia Legislativa, projeto de lei que prevê o atendimento a homens autores de violência intra-familiar e de gênero, com a finalidade de proporcionar-lhes recuperação, através de tratamento multidisciplinar.
"Este projeto de lei sugere uma mudança no ordenamento jurídico, de tal forma que os homens que praticam violência intra-familiar e de gênero sejam encaminhados pelos juízes para tratamento e possam refletir sobre o ato praticado, numa perspectiva de recuperação e de adoção de novas posturas na relação com as mulheres e a família", explicou o parlamentar, na justificativa da proposição.
O projeto prevê que os homens agressores sejam encaminhados para tratamento pelos seguintes meios: vontade própria, Delegacia da Mulher ou determinação judicial. Além disso, a proposição determina que o Poder Público incentive a participação de entidades de classe, de ensino, ONGs e instituições de pesquisa na elaboração de políticas e no atendimento a homens autores de violência intra-familiar e de gênero.
De acordo com Eliedson, em vários países a sociedade civil, através de entidades sociais, já realiza trabalhos multidisciplinares com homens autores de violência contra a mulher e seus familiares.
"A mulher tem conquistado, depois de muitos anos de luta, políticas públicas de atendimento, Delegacia da Mulher, abrigos para ela e seus filhos vítimas da violência. Mas, isso não basta, pois, de certa forma, a mulher vítima também fica sujeita a uma reclusão", afirmou o deputado, acrescentando: "E ainda há o enfrentamento das consequências da demora judicial, que, não agindo em tempo, leva à reincidência da violência e morte da vítima."
Na conclusão, o deputado voltou a defender a necessidade urgente de políticas públicas que atendam o outro lado, não apenas punindo, mas tratando e reeducando o agressor, que, na maioria das vezes, foi criado em lar violento, e aprendeu que a mulher é "um ser inferior".
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