Por que contratar cegonheiros de outros estados, se na Bahia há um número considerável de profissionais que pode prestar o serviço? O questionamento foi feito ontem à tarde pelo deputado Álvaro Gomes (PC do B), durante sessão especial na Assembleia Legislativa para debater as dificuldades enfrentadas por essa categoria especializada de caminhoneiro, que reclama pelo fato de a montadora Ford contratar uma transportadora capixaba para transportar seus carros. Diante da importância do tema, o parlamentar propôs e conseguiu que a sessão ordinária fosse transformada em especial.
Sob o tema "Os cegonheiros e a geração de emprego e renda na Bahia", o evento reuniu representantes dos profissionais, a exemplo do presidente do recém-criado Sintrav (Sindicato dos Transportadores Autônomos de Veículos da Região Metropolitana de Salvador), João Batista Nascimento Filho; o diretor do Sindicato Nacional dos Cegonheiros, Gilmar Donizete; o presidente do sindicato congênere de Vitória do Espírito Santo, Waldelio Santos, além da deputada federal Alice Portugal (PC do B) e do coordenador de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Joviniano Queiroz, representando o secretário estadual de Emprego, Renda e Esporte, Nilton Vasconcelos.
MEDO
Primeiro a se pronunciar, Álvaro defendeu as ações de geração de renda e a importância do desenvolvimento do trabalho decente, formalizando o fim das atividades degradantes, sem amparo e mal remuneradas. Neste sentido, ele elogiou a fundação do Sintrav, dezembro passado, e citou os avanços que se registraram na Bahia desde 2003, período em que o desemprego caiu à metade no estado.
Ao ocupar a tribuna, João Batista, no entanto, remeteu a relações nebulosas, que, segundo ele, foram responsáveis pelo esvaziamento do plenário. "Precisamos que a esperança vença o medo", conclamou, pouco antes de falar sobre intimidações, ameaças e agressões sofridas por ele e os companheiros, após a criação do sindicato. Sem ser específico sobre quem se referia, afirmou que "tínhamos a visão de que o sindicato nacional era composto por escroques, mas descobrimos que esta pessoa que fazia as acusações é que tem atitude de bandido." Sintético sobre o que pretende com o Sintrav e a mobilização que gerou a sessão de ontem, por exemplo, ele disse: "Queremos apenas trabalhar!"
MEDIAÇÃO
Alice Portugal disse estar certa de que seu mandato e o de Álvaro Gomes tem meios de reforçar uma negociação para que as empresas que recebem incentivos fiscais para se instalar na Bahia utilizem os serviços dos carreteiros baianos – mais de 250 profissionais. "Está na hora de buscarmos esta conversa, devemos fazer uma intervenção cidadã", definiu, lembrando que não se pode estabelecer, no entanto, uma cláusula de reserva de mercado, pois seria inconstitucional, e poderia fazer até com que o contrato do estado com as empresas seja questionado por outros estados.
Joviniano Queiroz afirmou, neste sentido, que o contrato com a JAC Motors prevê que a empresa privilegie mão de obra local e considerou que a previsão de instalação de duas montadoras de veículos até 2016 acenam com uma grande ampliação na demanda pelo serviço de cegonheiros no estado. Gilmar Donizete, por sua vez, garantiu que o "nosso dever é defender o trabalho do nosso associado" seja de que estado for. Ele se mostrou reticente quanto à demanda de defender "carreteiro de apenas um lugar" e disse que se deve ter cuidado ao apreciar o tema.
REDES SOCIAIS