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População de Camaçari vai protestar contra lixo tóxico

Publicado em: 10/12/2012 00:00
Editoria: Diário Oficial

Audiência pública no Legislativo municipal para debater o tema contou com ampla participação popular
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Membros da comunidade e representantes da sociedade civil presentes na audiência pública sobre a incineração do lixo tóxico em Camaçari, realizada na última quinta-feira, na sede do Legislativo municipal, deram uma incontestável demonstração de que não aceitam o descarte dos resíduos cancerígenos na cidade. Diante das respostas evasivas do diretor da Cetrel Lumina, Marcelo Pestana, aos questionamentos feitos pelos presentes, a tendência é que os ativistas deem início a uma série de protestos.
De início, está cogitada uma grande manifestação na porta da Cetrel, a quem cabe fazer a incineração das 760 toneladas do material produzido em São Paulo pela Rhodya. Um dos motivos recentes de revolta é que, após terem ido espontaneamente na Assembleia Legislativa garantir aos presidentes de comissões técnicas da AL, Bira Corôa e Luiza Maia, ambos do PT, que haviam desistido de vez da operação, os prepostos da companhia vacilaram em manter a posição perante o público e a imprensa.
"Continuamos em vigília. Essa escória tem mais de 20 anos, um lixo químico que inclui substâncias banidas mundialmente em tratados internacionais que o Estado de São Paulo não permite que seja incinerada lá", disse Bira Corôa. Em 2004, Corôa era vereador em Camaçari e mobilizou o município para se juntar ao então deputado estadual Zilton Rocha, que moveu ação popular vitoriosa que suspendeu a incineração de 3.600 toneladas dos resíduos que foram transportados de São Paulo para a Cetrel.
"O povo veio para cá na expectativa de receber a notícia de que o lixo não será mais queimado. Ninguém está colocando em xeque a capacidade da Cetrel. O que questionamos – e com razão – é a iminente contaminação e os riscos decorrentes do transporte dessa bomba atômica que estão tentando desovar aqui", cobrou Luiza Maia.
Presente ao encontro, o secretário estadual do Meio Ambiente, Eugênio Spengler, comunicou que o "deslocamento" de produtos químicos é regulamentado por legislação federal. Outro ponto abordado pelo gestor é que a AL pode aprovar uma lei proibindo a entrada de lixo tóxico proveniente de outras unidades da federação no estado. Por fim, confirmou que a Cetrel está proibida de incinerar o lixo tóxico da Rhodya até que novos testes assegurem que não existe nenhum tipo de risco.
Em 2004, a Cetrel chegou a incinerar 900 toneladas do produto antes de ser notificada pela Justiça. Os lixões químicos da fábrica da Rhodia em Cubatão foram descartados há décadas em terrenos da Baixada Santista, sendo considerado um dos maiores casos de contaminação industrial no Brasil.



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