A emoção marcou o último discurso do deputado Gildásio Penedo Filho (PSD) na sessão de encerramento do ano legislativo. Aparteado suprapartidariamente por duas dezenas de parlamentares, ele fez um rápido balanço das atividades que desenvolveu no exercício do mandato de deputado estadual nos últimos 14 anos e louvou a política como a mais nobre das atividades humanas. Nos apartes, ficou evidente o tamanho da lacuna aberta com a sua próxima renúncia, mas, por outro lado, a certeza de que o Tribunal de Contas do Estado será engrandecido com o novo conselheiro.
Gildásio Penedo teve o nome aprovado – por unanimidade – para ocupar o cargo de conselheiro do TCE, o que deve acontecer em fevereiro, depois da sua nomeação ser feita pelo governador Jaques Wagner e da realização de uma "longa viagem pela Bahia, especialmente pela região nordeste", para agradecer o apoio recebido das lideranças políticas que contribuíram para as suas seguidas vitórias eleitorais. No discurso de despedida, revelou o quanto aprendeu no convívio com adversários ideológicos – que sempre respeitou. Foi aparteado por mais de uma hora.
ELOGIOS
Ele aproveitou para agradecer aos colegas João Bonfim (PDT) e Nelson Leal (PSL), igualmente postulantes da vaga a ser preenchida por indicação do Legislativo, "ajudando a criar um consenso em torno de meu nome". Agradeceu também ao pai, o ex-deputado Gildásio Penedo, ao governador Jaques Wagner, ao vice-governador Otto Alencar (presidente regional de seu partido) e a cada um dos componentes da atual legislatura, a 17ª, encontrando tempo ainda para citar amigos que já faleceram como os ex-deputados Horácio Matos e Paulo Jackson, bem como os atuais integrantes do TCE conselheiros Zilton Rocha e Antonio Honorato, igualmente ex-deputados estaduais.
Na presidência dos trabalhos, o deputado Marcelo Nilo não economizou adjetivos para exaltar as qualidades do futuro conselheiro, por coincidência adversário político seu em toda a região nordeste, inclusive em sua terra natal, em Antas, e Tucano, berço de Gildásio Penedo. Para o presidente do Legislativo, a correção pessoal, o respeito ao contrário e a busca de melhorias para a condição de vida das comunidades que ele representou nestes 14 anos de mandato foram a marca do oponente de quem se transformou em amigo: "Humilde, quando na situação e audaz como oposicionista."
O primeiro aparte foi do líder da oposição, deputado Paulo Azi (DEM), que lembrou do primeiro encontro entre eles (quando ainda dirigia a Cerb) pelo contagiante entusiasmo de Penedo na defesa dos pleitos que fazia para as comunidades da região nordeste. Azi disse que o parlamento muito perderá e conclamou os pares para uma reflexão em prol da busca de melhores normas para as disputas eleitorais, pois "a situação atual está afastando os homens de bem dessa atividade". Falou em seguida o líder da maioria, deputado Zé Neto (PT), que reconheceu a necessidade de aperfeiçoamento e fez um verdadeiro libelo em favor da atividade política, "majoritariamente empreendida por pessoas com compromisso com o bem comum". Disse ainda que Penedo foi um deputado sempre de posições claras e reputação ilibada.
Por seu turno, o deputado Bruno Reis (PRP) foi na mesma linha, frisando o sacrifício pessoal a que se submetem os deputados estaduais, lamentando a decisão do companheiro e amigo fraterno de optar por outro desafio no serviço que sempre prestou ao povo da Bahia. Para ele, Gildásio Penedo Filho é um exemplo a ser seguido, pois é o mais brilhante político da geração a que ambos pertencem. O petista Yulo Oiticica, líder do PT, falou em nome de sua bancada e secundou o apelo dos oradores anteriores sobre a necessidade de os políticos fazerem uma reflexão sobre o atual momento, diante da séria "mercantilização da política que leva um jovem a abandonar a vida partidária no ápice da carreira".
A correligionária Ângela Sousa lamentou a decisão de Gildásio Penedo, mas não deixou de observar que ele segue tranquilo e alegre para a nova missão: "Trabalharemos de agora em diante em trincheiras diferentes, mas sempre em prol do povo baiano", completou ela, que sempre admirou o jeito amigo e respeitoso do colega. O deputado Álvaro Gomes (PC do B) foi enfático ao sublinhar a perda que terá o parlamento e "o ganho extraordinário que terá o TCE, que precisa mesmo de um homem equilibrado e correto no seu quadro".
O orador seguinte, Nélson Leal, manifestou a sua tristeza e a alegria "presentes nessa despedida" e o serviço prestado à Casa pelo amigo, pois o processo de indicação para as Cortes de Contas nas vagas a serem preenchidas pelo Legislativo agora serão preenchidas pela sistemática recém-inaugurada, que mantém no parlamento o poder de decisão totalmente transparente. Já o deputado do PP Mário Negromonte Júnior, que convive com a família Penedo há muito tempo, através dos pais de ambos (foram colegas na Assembleia Legislativa), considera como uma homenagem ao "jovem correto que sai da vida política com a cabeça erguida" a sua condução ao TCE por unanimidade.
O deputado Pastor Sargento Isidório (PSD) optou por ler uma breve passagem da Bíblia Sagrada e "em comunhão com os demais abençoou a sua ida para o Tribunal". O deputado Sidelvan Nóbrega (PRB) disse que conhecia os predicados de Gildásio Penedo Filho mesmo antes de chegar ao parlamento, quando constatou que ele excedia a tudo que conhecia, desejando-lhe "no TCE um sucesso tão grande quanto o obtido na Assembleia". Por seu turno, Aderbal Caldas (PP) considerou os elogios direcionados a Penedo como "mais do que justos" e agradeceu as lições que recebeu de cidadania e coleguismo.
Sandro Régis (PR) observou que "esta casa amadureceu quando fez conselheiro um parlamentar íntegro e brilhante" e confessou que foi o voto mais consciente que deu desde a posse como deputado estadual quando sufragou o nome de Gildásio Penedo. O peemedebista Leur Lomanto Jr. salientou a dedicação e a luta constante pelo bem comum do futuro conselheiro do TCE, que sai da Assembleia Legislativa pela porta da frente, "deixando um exemplo para nossa geração de políticos". Por seu turno, o deputado Capitão Tadeu (PSB) não se alongou muito quando disse que "perde o mundo político, mas ganha o Tribunal, com um conselheiro sensato e honesto que ali será tão competente quando aqui".
Já o deputado Delegado Deraldo Damasceno (PSL) disse que a indicação de Penedo para o TCE foi justa e merecida, pois "se trata de um homem público cuja conduta dispensa comentários". O decano do Legislativo, deputado Reinaldo Braga (PR), foi o último a apartear e também homenageou o indicado: "É difícil acrescentar, já que falamos aqui de um cidadão cuja personalidade extrapola a vida parlamentar e a vida pública", pois sempre exerceu cargos e funções com brilho, decência e ética. Ser amigo de Gildásio Penedo é uma dádiva", completou.
REDES SOCIAIS