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Integrantes da bancada do PT lamentam morte de dona Canô

Publicado em: 02/01/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

A bancada petista, composta por 14 parlamentares, é liderada pelo deputado Yulo Oiticica
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Os 14 deputados estaduais da bancada do PT lamentaram, em moção de pesar apresentada na Assembleia Legislativa, a morte de Claudionor Viana Teles Velloso, a dona Canô, matriarca da família Velloso. Dona Canô morreu na última terça-feira, aos 105 anos, em sua casa, localizada em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo baiano.

No documento, os parlamentares petistas lembraram que dona Canô sempre usou sua influência em prol da comunidade de Santo Amaro. "Ela que, na juventude, viu o Rio Subaé limpo, ao longo da vida reivindicou aos políticos a purificação daquelas águas, tal como o filho Caetano escreveu e Bethânia cantou em purificar o Subaé: ‘Tenho amizade com os políticos, mas é amizade, amizade, política à parte’".

Os deputados também frisaram a devoção dela pela reforma da Igreja Matriz de Santo Amaro. "A restauração em 1997 se deve muito a sua articulação", afirmaram, no documento. No campo religioso, dona Canô se destacava por organizar tradicionais novenas como a de Santo Antônio, em junho, e a de Nossa Senhora da Purificação, em janeiro, ligada à Festa da Purificação, cujo cortejo partia de sua casa.

Dona Canô nasceu em 16 de setembro de 1907, filha de Júlia Vianna e de Anísio César de Oliveira Vianna. Foi Anísio quem escolheu o nome forte. Porém, o carinho da família o adoçou. "Vinda de família humilde, dona Canô viveu para a família e as coisas em que acreditava, a exemplo da religião", observou os parlamentares. De lá de Santo Amaro, a mãe de Caetano, Bethânia e mais quatro filhos biológicos – Clara, Roberto, Rodrigo e Mabel – adotou as filhas Irene e Nicinha.

Exemplo para filhos, netos e bisnetos, revelou em 1990 o seu segredo para viver bem: "É não procurar ter inimigos, nem querer ser superior aos outros". Da vida, ela também sempre pediu pouco: "Nunca tive sonhos. Nunca disse quero isso, quero aquilo, e hoje tenho tudo".

Tais lições de sabedoria, ela aprendeu principalmente com sua família. Apesar da pouca instrução, cultura nunca lhe faltou, lia até em francês, idioma que aprendeu na escola. Já a aptidão para a música era natural. "As músicas antigas Caetano aprendeu comigo", contava.

Já aos 90 anos, ela, que sempre gostou de cantar, entrou pela primeira vez em um estúdio, com mais 19 mulheres para gravar cânticos de louvor a Nossa Senhora da Purificação, trabalho lançado depois em disco. "A música é a coisa melhor do mundo, suaviza e dá vontade de viver", disse ela, que, com uma simples frase a seu filho, em referência a Gil - "Caetano, venha ver aquele preto que você gosta!" - deu origem à canção "Dona Canô Chamou", de Neguinho do Samba (1954-2009).

Assinaram a moção os deputados Yulo Oiticica (líder da bancada) e os outros parlamentares petistas: Bira Corôa, Fátima Nunes, J. Carlos, Joseildo Ramos, Carlos Brasileiro, Luiza Maia, Zé Neto, Maria del Carmen, Marcelino Galo, Neusa Cadore, Paulo Rangel, Rosemberg Pinto e Zé Raimundo.



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