Parlamentar espera que o drama vivido pelo religioso sensibilize o presidente Lula
Foto: null
O drama vivido pelo bispo diocesano de Barra Dom Luiz Flávio Cappio, que entrou em greve de fome como forma de protesto extremo ao projeto de transposição do Rio São Francisco, que o governo federal planeja iniciar em poucos dias, levou o deputado Reinaldo Braga (PFL) a apresentar uma indicação endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O parlamentar pede o adiamento do começo das obras e a imediata abertura de um canal de diálogo junto ao religioso para evitar a ocorrência de uma tragédia.
Filho de Xique-Xique, município vizinho a Barra e também banhado pela "Velho Chico", o deputado se opõe com firmeza à realização dessa obra "ainda não suficientemente justificada para os brasileiros". Para reforçar sua solicitação, Reinaldo anexou a seu texto a íntegra da carta encaminhada pelo bispo ao Presidente da República.
O documento do religioso, que segundo o deputado foi escrito em tom fraterno, porém firme, começa com o desejo do bispo de "paz e bem" para o presidente. Em seguida, ele registra que teve "a oportunidade de conhecê-lo por ocasião da passagem do senhor por Bom Jesus da Lapa, na Caravana da Cidadania pelo São Francisco, em 1994. Isto aconteceu pouco tempo depois que fizemos uma peregrinação pelo Rio São Francisco, da nascente à foz, com o objetivo de conscientizar o povo ribeirinho sobre a importância do rio para a vida de todos e a necessidade de preservá-lo. Fui-lhe apresentado por meu professor de Teologia, frei Leonardo Boff".
Na correspondência, o bispo assegura que sempre foi admirador do presidente e que participou de todas as campanhas eleitorais do PT, "Alimentando o sonho de ver o povo no poder". Dom Luiz Flávio Cappio diz ainda que desde que sempre foi um crítico "acirrado da proposta", desde que o governo Fernando Henrique Cardoso a apresentou. A partir de então, "Acentuamos a necessidade de revitalização do rio e de ações que garantam o verdadeiro desenvolvimento para as populações pobres do Nordeste: uma política de convivência com o semi-árido, para todos, próximos e distantes do rio". O religioso afirma que esperava um "Apoio maior em favor da vida do rio e do seu povo" e pediu que diante de tantos questionamentos políticos, ambientais, jurídicos e econômicos que o governo reavaliasse a sua disposição de executar este projeto que "carece de verdade e transparência".
A parte final, a mais forte, foi enfatizada na indicação de Reinaldo Braga: "Quando cessa o entendimento e a razão, a loucura fala mais alto. Em meu gesto não existe nenhuma atitude anti-Lula neste momento delicado da vida nacional. Pelo contrário. Quem sabe seja uma maneira extrema de ajudá-lo a entender pelo coração aquilo que a razão não alcança. Tenha certeza, é um profundo testemunho de amor à vida. Minha vida está em suas mãos. Receba minha saudação fraterna e amiga", concluiu o prelado e o parlamentar, que pediu ao Presidente da República cautela e a revisão desse projeto.
REDES SOCIAIS