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Deputados e líderes comunitários debatem sobre emissário submarino

Publicado em: 30/09/2005 16:16
Editoria: Diário Oficial

Zilton Rocha e Zé Neto na mesa com técnicos e lideranças da comunidade da Boca do Rio
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O auditório do Memorial da Assembléia Legislativa foi palco na manhã da sexta-feira de um movimentado debate sobre a implantação de um emissário submarino na Praia dos Artistas, na Boca do Rio. Moradores da localidade, lideranças sindicais e comunitárias, pescadores, comerciantes, professores e estudantes, que estão mobilizados contra o projeto da Embasa, debateram com pesquisadores e representantes governamentais alternativas à proposta, denominada Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, composto ainda de uma estação de condicionamento prévio, na comunidade do Bate Facho, e de um emissário terrestre, que vai da Avenida Jorge Amado até a referida praia. O evento foi articulado pelo líder do PT, Zilton Rocha, e contou com o apoio do presidente da Comissão de Meio Ambiente da Casa, o também petista Zé Neto.  

Por entender que o projeto causará implicações socioambientais, a população criou um Comitê de Luta em Defesa da Praia dos Artistas. De acordo com Gil Fernandes, representante do comitê, faltou diálogo na "confecção da proposta". "Nenhuma organização da comunidade foi procurada na época da elaboração do projeto", afirmou, acrescentando que o emissário estava previsto para ser implantado apenas no ano 2014. "Não vamos aceitar goela abaixo esta proposta", declarou, sendo bastante aplaudido pelo plenário e acompanhado pelas batidas de tambores que transformaram a manifestação em um ato de resistência festiva.

As palavras mais duras contra o projeto, porém, foram proferidas pelo professor da Escola Politécnica da Ufba, Luiz Roberto Moraes, que é doutor em Saúde Ambiental pela University of London, Inglaterra. Depois de fazer um histórico sobre a situação do esgotamento sanitário da capital, ele disse que a proposta é "apressada e sem qualificação técnica". E conclamou a sociedade a se mobilizar e lutar para barrar o projeto, colocando-se inclusive à disposição dos movimentos populares. Ele criticou ainda a concepção de financiamento, que será feito pelo processo de Parcerias Público-Privadas, envolvendo recursos da ordem de R$ 150 milhões. "A água é um bem de todos e não pode ser tratada como um commodity, uma moeda", protestou.

Os deputados Zilton Rocha e Zé Neto reafirmaram apoio ao movimento. Zilton informou que, junto com o comitê, vai entrar com uma representação no Ministério Público. O debate público contou ainda com a participação do gerente executivo do Ibama, Júlio Rocha, José Antônio Lacerda (Centro de Recursos Ambientais - CRA) e George Gurgel, representante da Superintendência Municipal do Meio Ambiente.



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