Luciano Figueiredo, diretor-geral da Adab (entre Jusmari e Luiz de Deus), fala durante audiência pública da Comissão de Agricultura
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Com a participação de representantes dos governos estadual e federal, de produtores rurais, de prefeitos da região Oeste e de vários deputados, a Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembléia Legislativa, presidida por Jusmari Oliveira (PFL), realizou na manhã de ontem, no auditório do Memorial, uma audiência pública para debater os limites da Zona Tampão às margens do Rio Preto para o combate à febre aftosa.
A organizadora do evento, deputada Jusmari Oliveira, tem mobilizado suas forças nos últimos dias para lutar pela liberação da Zona Tampão. No último dia 27, por exemplo, ela apresentou uma indicação neste sentido na Assembléia, endereçada ao ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. No referido documento, a deputada reconhecia a necessidade de ações e trabalhos "fiscalizadores e educadores do ministério que valorizam a pecuária, mas não podemos fechar os olhos às condições da margem direita do Rio Preto, que é uma barreira natural".
Estes mesmos argumentos foram apresentados pelos produtores rurais e representantes das prefeituras daquela região, que participaram da reunião. Eles afirmaram que tal medida vai contribuir para alavancar ainda mais o desenvolvimento da região Oeste e do Brasil. O prefeito de Formosa do Rio Preto, Manoel Afonso, lembrou que a área que está "sendo inviabilizada" é do tamanho do estado de Sergipe. Já Oziel Oliveira, prefeito de Luís Eduardo Magalhães, destacou que está aberto ao diálogo para realizar uma parceria com os governos para proteger os rebanhos e a economia regional.
A solicitação dos prefeitos, deputados e representantes dos produtores já surtiu efeito. No próximo dia 10, técnicos dos governos federal e estadual irão à região para analisar as condições do Rio Preto, a sua profundidade e assim realizar um parecer "abalizado", conforme destacou a delegada federal do Ministério da Agricultura, Delian Gomes.
PRECAUÇÃO
Já o diretor-geral da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Luciano Figueiredo, afirmou que é necessário "haver compreensão, pois nem o governo do estado nem o federal poderá fazer nada de forma precipitada". Ele destacou que a Bahia fez um esforço extraordinário para conseguir o certificado de Zona Livre da Febre Aftosa e que é preciso que todos estejam juntos na luta pela preservação desta conquista. "Temos que obedecer aos padrões da lógica técnica e epidemiológica. Não podemos fazer nada de forma impensada", disse.
O diretor da área de defesa animal da Adab, Iram Ferrão, foi nesta mesma linha, apresentando dados através de projeções no telão. "A Bahia sempre foi uma referência na luta contra a aftosa, mas não tem uma localização geográfica favorável, pois os vizinhos não conseguiram erradicar a doença e são zonas de alto risco. Por isso é preciso ter cuidado", pregou.
Iram falou ainda sobre a importância da interferência da questão sanitária na comercialização do produto. "Atualmente, o Brasil tem o maior rebanho de área livre do mundo. E necessitamos preservar e ampliar estas conquistas", disse, lembrando que há oito anos a Bahia não tem um só caso de febre aftosa. "O último foi em 1997, em Jussari", informou, acrescentando que a referida Zona Tampão, que engloba oito municípios da região Oeste, foi instituída em julho de 2000.
No final dos debates, Jusmari Oliveira afirmou que o colegiado havia promovido "uma reunião extremamente importante para o contexto econômico da Bahia". Participaram ainda dos trabalhos os deputados Luiz de Deus (PFL), Paulo Câmera (PFL), Aderbal Caldas (PP), Paulo Cézar (PFL) e o líder do governo na Casa, Paulo Azi (PFL), além de Adilson Borges, presidente da Companhia de Melhoramentos do Oeste da Bahia, Eunápio Correia e Alzira Corado Setúbal, representantes de Santa Rita de Cássia, e Davi Frank, do município de Mansidão.
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