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Desportistas e deputados estudam sugestões para a crise do futebol

Publicado em: 04/10/2005 22:02
Editoria: Diário Oficial

Debate no âmbito da Comissão de Educação, sobre possíveis saídas para o futebol baiano, é coordenado por Rodrigues e Edmon
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Seis sugestões para a revitalização do futebol baiano, em grave crise desde o rebaixamento dos maiores clubes do estado, o Esporte Clube Bahia e o Esporte Clube Vitória, para a terceira divisão do Campeonato Brasileiro, foram examinadas ontem na Assembléia Legislativa que prossegue debatendo este assunto complexo. Todas as propostas serão formatadas, submetidas à apreciação do órgão de assessoria jurídica do Poder, a Procuradoria, antes de serem encaminhadas para discussão ampla entre os segmentos interessados. Tal encaminhamento será feito pelos deputados Antonio Rodrigues (PFL) e o petebista Edmon Lucas, que coordenam o debate no parlamento.

Os trabalhos se realizam no âmbito da Comissão de Educação, Esportes e Serviço Público da Assembléia Legislativa, o foro definido para esta discussão, após a sessão especial requerida por Edmon Lucas que colocou o futebol baiano como uma das prioridades do trabalho parlamentar neste semestre. Presidente do colegiado, Rodrigues reconhece que se trata de um tema repleto de "paixão" e de enorme significado econômico para o estado. Portanto, pretende abrir o leque das conversas ao máximo em busca de um caminho consensual, capaz de injetar ânimo nos clubes que precisam continuar em atuação para arcar com os custos crescentes de suas atividades.

O presidente da Federação Baiana de Futebol, Ednaldo Rodrigues, chefes de torcida e os presidentes do Galícia, Olegário Gonzales, e do Ypiranga, Bernardo Improta, forças tradicionais do futebol baiano, participaram dos trabalhos que contaram ainda com o professor da Universidade Federal da Bahia, César Leiro, o vereador e desportista Téo Sena, o empresário Humberto Riela e Floriano Torres ? além de um número recorde de 16 parlamentares, entre eles o líder das oposições, Roberto Carlos (PDT), que é presidente do time de futebol de sua terra, o Juazeiro.

Inicialmente o empresário Riela apresentou uma proposta, o PróTorcida, que permitiria a capitalização dos clubes, um sistema à base de sorteios que arrecadaria recursos através de um convênio da firma promotora com a Coelba para, através da adoção voluntária dos consumidores/torcedores, ser debitada em cada conta a quantia de R$1,00 ou R$5,00. A opção pela Coelba é no sentido do maior espraiamento dessa programação, pois trata-se da única empresa concessionária ou não de serviço público que chega à quase totalidade dos domicílios da Bahia.

Esses recursos seriam nos primeiros três meses convertidos num fundo, para bancar a necessária publicidade e a aquisição dos prêmios. Esta proposta vai ser criticada do ponto de vista legal e econômico, pois houve a informação do galiciano que a Coelba cobra R$1,40 para efetuar descontos sob esta mobilidade ? pois implica em custos operacionais e tributários para a empresa. Roberto Carlos ficou temeroso de tais benefícios ficarem limitados apenas à dupla BA/VI e igualou em importância o futebol à educação, colocando como base da profissionalização desse esporte as equipes de menor porte, descobridoras de talentos e formadoras de torcedores. Ele quer uma solução global para o impasse e sugeriu a busca de apoio financeiro nas empresas que venham a se instalar na Bahia com incentivos fiscais, que "às vezes não deixam nada aqui".

A proposta que mais atraiu o debate foi feita por Olegário Gonzales, que lembrou a "absurda situação do Brasil possuir 300 clubes de futebol profissional e só 30 estarem efetivamente em ação". Ele pregou a mudança dos critérios de descenso e a realização de um campeonato de segunda divisão regionalizado, com a ascensão dependendo da quantidade de rebaixados para aquela região. Para o dirigente do Galícia, o mesmo poderia acontecer com os campeonatos estaduais, encaixando-se neste sistema clubes agora na terceira divisão, que é inviável economicamente porque ninguém poderá investir na formação de um time para jogar na base do mata-mata.

Ednaldo, da Federação Baiana, apoiou a proposta, ressalvando que a Federação já tinha levado à CBF algo semelhante e que o calendário para 2006 já está traçado, mas buscará fazer chegar esse pleito à entidade. Edmon Lucas reafirmou que defende a presença do governo estadual nesta luta, "através da Sudesb e da Setras", e lamentou que no horário destinado ao televisionamento de jogos com clubes locais as televisões estejam investindo em campeonatos europeus. O professor da Ufba falou sobre a importância social desse esporte e do Sistema Nacional de Esportes na gestação de projetos de lei de parlamentares, sendo observado pelo presidente do colegiado que a iniciativa de algo com reflexo em tributos só pode ser objeto de iniciativa governamental.

Já o vereador Téo Sena lembrou da importância dos campos de várzea e da necessidade da reconstrução do esporte baiano ocorrer num contexto de inclusão social. Ex-jogador do Ypiranga, ele criticou a segunda divisão do "Baianão" e defendeu o uso de equipamentos pertencentes a clubes como o próprio Ypiranga e o Galícia pela comunidade localizada em seu entorno. O dirigente do Ypiranga "fechou" com a proposta de seu colega galiciano, a qual - eles acreditam - poderá ser aperfeiçoada através da sistematização que Antonio Rodrigues ficou encarregado de executar.

 



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