A Apae foi fundada em 1954 e em apenas oito anos já contava com 16 associações, sendo que 12 em São Paulo. Nesta mesma época foi fundada a Federação Nacional para articular as entidades que se multiplicavam pelos estados. "Em 1964, durante a última ditadura do país, o movimento das Apaes foi às ruas", contou o atual presidente, Francisco dos Santos, dizendo que, a partir daí, ela deixou de ser apenas assistencialista e passou a ser garantidora de direitos.
Ele defendeu a capacitação dos profissionais das 1,5 mil Apaes que existem hoje no país e, neste sentido, elogiou o convênio com a Secretaria de Educação do estado, que permite qualificar os colaboradores das 78 Apaes instaladas no estado. Destacou que inclusão é a palavra de ordem e que deve envolver toda a sociedade e o poder público. Exemplo disso foi dado por Eli Neves, apaeno que leu um depoimento comovente. Nascido pobre em Barreiras, foi discriminado por não conseguir aprender na escola. Na Apae, aprendeu a ler e pôde agradecer ontem o empenho das professoras, a ajuda dos pais e a Deus.
Inclusão também foi o mote do pronunciamento da secretaria da Educação, Anaci Paim, que elogiou a realização do evento por ser uma oportunidade de ser mostrado o que vem sendo feito e valorizar as pessoas que estão na luta. Informou que a SEC possui cinco centros de educação especial que têm por finalidade dar suporte para que se faça educação com qualidade. Ao final do pronunciamento, fez uma versão para a música Epitáfio, dos Titãs, para dizer que o acaso, nesta situação, "não vai nos proteger: tem que haver planejamento e políticas concretas".
Ao final da sessão, foram homenageadas oito personalidades que prestaram bons serviços à causa dos excepcionais, momento em que uma delas, o coordenador nacional de prevenção das Apaes, José Américo Fontes, disse que "estamos permitindo o nascimento de pessoas deficientes por omissão, negligência e irresponsabilidade". Segundo ele, 85% dos casos poderiam ser evitados antes da própria concepção, por meio de ações educativas, tratando a mãe antes da gravidez. Justamente por falta desta atenção é que 95% das ocorrências se dão nos extratos sociais mais baixos. Os outros homenageados foram Anaci Paim, Francisco dos Santos, Ermano Barreto, Helena Abreu, Neusa dos Santos, Clairê Bilhar e Miriam Lopes.
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